Tarifas Estaduais

Governo de Minas recua e não sobe "taxa das blusinhas"

Governador Romeu Zema recua de proposta de aumento do ICMS sobre produtos importados após pressão de entidades empresariais. Governo mineiro busca alternativas para reforçar arrecadação sem afetar competitividade da indústria.

Bandeira de Minas Gerais
Crédito: Depositphotos
  • Medida provocaria encarecimento de insumos e prejudicaria competitividade, segundo entidades do setor produtivo.
  • Equipe econômica estuda cortes administrativos, revisão de incentivos fiscais e combate à sonegação.
  • Decisão é vista como gesto para preservar imagem do governo junto ao setor produtivo e manter diferencial competitivo do estado.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou que desistiu da proposta de aumentar o ICMS sobre produtos importados. A medida, que havia sido aventada como uma forma de elevar a arrecadação estadual, enfrentou forte resistência de entidades empresariais e da indústria local. Após reuniões com representantes do setor produtivo, o governo estadual decidiu manter a alíquota atual e buscar alternativas para equilibrar as contas públicas.

A decisão ocorre em um momento de tensionamento entre estados e o governo federal em torno da reforma tributária e da distribuição das receitas. Além disso, o recuo de Zema vem sendo visto por analistas como um gesto político para preservar a imagem do governo junto ao empresariado e evitar desgaste em meio à disputa por investimentos.

Setor empresarial pressiona e governo recua

A proposta de elevar o ICMS para produtos importados surgiu como uma das alternativas analisadas pelo governo mineiro para compensar perdas de arrecadação. No entanto, a ideia provocou reações imediatas de entidades como a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Associação Comercial e Empresarial de Minas.

Essas entidades alegaram que um aumento no imposto sobre produtos importados encareceria insumos essenciais à indústria mineira, reduziria a competitividade local e poderia gerar efeitos negativos no consumo. Além disso, destacaram que a medida prejudicaria especialmente pequenos e médios empresários, que já enfrentam margens apertadas.

Diante da mobilização do setor produtivo, o Palácio Tiradentes passou a adotar um tom mais cauteloso e, após conversas com lideranças empresariais, Romeu Zema optou por descartar a medida. O anúncio oficial foi feito em uma nota pública e confirmado em entrevista coletiva na Cidade Administrativa.

Governador busca alternativas para reforçar arrecadação

Em seu pronunciamento, Zema afirmou que compreende a necessidade de manter a competitividade das empresas mineiras e que o momento exige diálogo com todos os setores. Segundo ele, o governo seguirá buscando formas de melhorar a arrecadação sem prejudicar a atividade econômica.

Uma das alternativas em estudo é a revisão de incentivos fiscais pouco eficientes e o combate mais rigoroso à sonegação. A equipe econômica de Minas Gerais também pretende apresentar, nas próximas semanas, um novo pacote de ajuste fiscal, com foco na redução de despesas administrativas e reavaliação de contratos públicos.

Além disso, o governador voltou a criticar o modelo atual de partilha tributária entre União e estados. Ele afirmou que a reforma tributária precisa corrigir o desequilíbrio federativo, garantindo mais autonomia financeira aos entes subnacionais.

Entidades empresariais comemoram decisão

Após o recuo do governo, a Associação de Comércio Exterior do Brasil divulgou nota oficial agradecendo a sensibilidade do governador. A entidade ressaltou que a manutenção da alíquota atual é fundamental para que as empresas continuem investindo e operando em Minas Gerais.

A Fiemg também celebrou a decisão e declarou que manter a estabilidade tributária é essencial para preservar empregos e fomentar o crescimento econômico. Para a federação, a construção de soluções fiscais deve ocorrer com diálogo, evitando medidas que possam afetar a indústria produtiva.

Especialistas avaliam que, ao recuar, Zema conseguiu evitar uma crise com o setor que tradicionalmente apoia suas políticas. No entanto, a pressão por soluções fiscais sustentáveis continuará crescendo nos próximos meses, especialmente diante das limitações orçamentárias e da pressão por investimentos públicos em áreas como infraestrutura e saúde.

Contexto nacional amplia relevância da decisão

A discussão sobre aumento de ICMS em Minas Gerais ocorre em meio ao avanço da reforma tributária no Congresso e à movimentação de outros estados que decidiram elevar alíquotas em setores específicos. Nesse contexto, a decisão de Zema adquire peso político, especialmente por contrariar uma tendência nacional de ajuste via aumento de tributos.

Governadores de estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Norte já anunciaram elevações de ICMS para compensar perdas de arrecadação após a desoneração de combustíveis. A medida mineira, portanto, sinaliza uma tentativa de manter um diferencial competitivo para atrair empresas e fomentar o desenvolvimento local.

Analistas acreditam que Zema tentará usar o recuo como trunfo político, reforçando sua imagem de gestor pró-mercado e aliado da iniciativa privada. Por outro lado, a decisão coloca pressão sobre sua equipe econômica para encontrar fontes de receita que não envolvam aumento de impostos.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.