Paralisação nacional

Greve nacional: entregadores exigem melhorias e reajuste de remuneração

Entregadores de aplicativos em todo o Brasil iniciaram uma paralisação nacional entre os dias 31 de março e 1º de abril.

Entregadores - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Entregadores - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
  •  Categoria paralisa atividades em 31/03 e 01/04 para exigir melhores condições de trabalho e aumento nos valores das corridas
  • Motoboys e mototaxistas de todo o país pressionam plataformas por direitos trabalhistas e remuneração justa
  • Movimento organizado por associações quer negociar diretamente com empresas como iFood, Uber Eats e Rappi

Entregadores de aplicativos em todo o Brasil iniciaram uma paralisação nacional entre os dias 31 de março e 1º de abril. O movimento, organizado por associações e coletivos da categoria, busca pressionar as empresas do setor por melhores condições de trabalho e reajustes na remuneração. A adesão pode envolver até 1,8 milhão de trabalhadores, incluindo mototaxistas.

A greve foi motivada por reivindicações que há tempos mobilizam os entregadores. Entre as principais exigências estão o estabelecimento de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, o aumento do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50 e a limitação do raio de atuação para bicicletas em até 3 km.

Além disso, os profissionais pedem o pagamento integral por pedidos agrupados, uma prática comum nas plataformas, mas que, segundo os trabalhadores, reduz a remuneração individual por entrega.

Reivindicações e mobilização da categoria

A insatisfação dos entregadores com a remuneração e as condições de trabalho levou à mobilização nacional. A greve busca chamar a atenção das plataformas de delivery e do poder público para a precarização do setor, que cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionado pela digitalização dos serviços e pela demanda por entregas rápidas.

Além dos reajustes financeiros, os organizadores denunciam práticas antissindicais, como incentivos financeiros oferecidos por algumas empresas para desestimular a adesão ao movimento. Essas estratégias, segundo os representantes dos entregadores, enfraquecem a luta coletiva e dificultam a conquista de melhorias reais para a categoria.

Os entregadores, portanto, também criticam a falta de suporte das plataformas em situações de risco, como acidentes de trânsito, roubos e a exposição a condições climáticas adversas.

Eles argumentam que, apesar de serem considerados trabalhadores autônomos, dependem exclusivamente dos aplicativos para gerar renda, sem direitos trabalhistas básicos como seguro-desemprego e auxílio-doença.

Regulamentação do setor avança no Congresso

A greve ocorre em um momento de intenso debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já concluiu o relatório do projeto de lei complementar 12/2024, que busca estabelecer regras para a categoria sem criar vínculo empregatício formal pela CLT.

O projeto, fruto de dez meses de negociação entre governo, empresas e representantes dos entregadores, foi enviado ao Congresso em fevereiro. O texto propõe mudanças importantes, incluindo a contribuição ao INSS de 7,5% sobre parte dos rendimentos. Além da garantia de uma remuneração mínima proporcional ao salário mínimo e o direito à sindicalização.

Além disso, determina que as plataformas também contribuam para a Previdência Social, garantindo maior segurança aos trabalhadores.

Enquanto a tramitação do projeto avança, o Supremo Tribunal Federal (STF) também analisa ações que podem redefinir a relação entre aplicativos e entregadores. O STF definirá se plataformas digitais mantêm vínculo empregatício com entregadores, decisão que moldará os direitos trabalhistas da categoria.

Impacto da greve e perspectivas futuras

A paralisação dos entregadores pode afetar significativamente o funcionamento dos serviços de delivery em todo o país. Durante os dois dias de mobilização, consumidores podem, no entanto, enfrentar atrasos nas entregas e dificuldades para acessar os serviços. Especialmente, nas grandes cidades, onde a demanda por entregadores é maior.

A mobilização deve pressionar tanto as empresas quanto o governo a avançarem na regulamentação do setor. Caso as negociações não resultem em melhorias concretas, os organizadores já indicam a possibilidade de novas paralisações no futuro.

O cenário atual evidencia, portanto, a crescente insatisfação dos entregadores e reforça a necessidade de mudanças estruturais para garantir condições mais justas a esses trabalhadores, que desempenham um papel essencial na economia digital.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ