Mineração de criptomoedas

Mineradoras de Bitcoin amargam pior mês da história e perdem bilhões

Relatório do banco JPMorgan revela: Ações das grandes mineradoras de Bitcoin listadas nos EUA despencaram em março, marcando o pior mês já registrado com perdas bilionárias.

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Mineradores de Bitcoin cavando em busca de moeda digital
Mineradores de Bitcoin cavando em busca de moeda digital

O cenário para as empresas de mineração de Bitcoin que negociam suas ações nas bolsas de valores dos Estados Unidos azedou – e muito. Um levantamento recente divulgado pelo gigante financeiro JPMorgan na última terça-feira, 1º de [Mês relevante, ex: Abril], acendeu um sinal de alerta geral: março de 2024 foi, oficialmente, o pior mês da história para essas companhias em termos de valor de mercado. A pancada foi forte e resultou na maior perda de valor já registrada para este grupo específico de empresas.

Os analistas do JPMorgan não estão falando de qualquer empresa. O estudo focou nas 14 principais mineradoras de Bitcoin com capital aberto nos EUA, ou seja, aquelas cujas ações qualquer investidor pode comprar e vender nas bolsas. E os números são assustadores: de acordo com o banco, a capitalização de mercado dessas empresas – que é basicamente o valor total de todas as suas ações somadas – encolheu cerca de 25% apenas no mês de março. Em valores concretos, isso representa uma perda impressionante de aproximadamente US$ 6 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões na cotação atual). É como se uma fatia enorme do valor dessas empresas tivesse simplesmente evaporado em apenas 31 dias.

E a situação fica ainda mais complexa

O relatório do JPMorgan trouxe um dado curioso: as mineradoras que tentaram diversificar seus negócios, expandindo operações para áreas como inteligência artificial (IA) – muitas vezes usando parte de seu enorme poder computacional para tarefas como armazenamento e processamento de dados para IA – tiveram um desempenho ainda pior em março do que as chamadas mineradoras “puras”. Essas últimas são as que se dedicam exclusivamente à tarefa principal: minerar Bitcoin, ou seja, usar seus supercomputadores para validar transações na rede e, como recompensa, receber novas unidades da criptomoeda.

Surpreendentemente, março foi o segundo mês consecutivo em que as mineradoras “puras” se saíram relativamente melhor (ou menos pior) que suas concorrentes diversificadas. Vale lembrar que essas perdas massivas em março vieram logo após um fevereiro já bastante negativo. No mês anterior, o setor já havia registrado uma queda de 20% em sua capitalização de mercado, o que também significou uma perda na casa dos US$ 6 bilhões. Somando os dois meses, a conta fica ainda mais salgada, ultrapassando os US$ 12 bilhões em valor perdido.

Mas o que explica essa maré negativa tão intensa?

Segundo a análise do JPMorgan, não há um único culpado, mas sim uma combinação de fatores que criou uma “tempestade perfeita” para as mineradoras.

Primeiro, temos o cenário macroeconômico global. Há uma forte aversão a riscos entre os investidores no momento. Em tempos de incerteza econômica, juros altos ou tensões geopolíticas, muitos preferem vender ativos considerados mais arriscados, como ações de empresas de tecnologia e, claro, criptomoedas. As mineradoras de Bitcoin estão bem no meio desse furacão, pois suas ações são vistas como de tecnologia e estão diretamente ligadas ao volátil mercado cripto. Ou seja, elas sofrem um impacto duplo quando o medo toma conta dos mercados.

Segundo, um fator interno do próprio universo Bitcoin: a dificuldade de mineração continua subindo e batendo recordes históricos. Pense na mineração como resolver um quebra-cabeça matemático extremamente complexo. À medida que mais mineradores entram na rede ou que a tecnologia avança, esse “quebra-cabeça” fica propositalmente mais difícil de resolver. Isso exige que as empresas invistam continuamente em equipamentos mais potentes e eficientes, o que aumenta seus custos operacionais. Além disso, uma dificuldade maior significa que, mesmo com o mesmo poder computacional, uma mineradora consegue gerar menos Bitcoins no mesmo período, ou precisa gastar muito mais energia (e dinheiro) para manter sua produção.

Terceiro, e talvez o golpe mais duro: enquanto a dificuldade e os custos para minerar subiam, o preço do próprio Bitcoin caiu durante boa parte desse período. Imagine trabalhar mais duro e gastar mais para produzir algo, e na hora de vender, o preço desse algo está mais baixo. É exatamente o que aconteceu. Mesmo as mineradoras que conseguiram superar a dificuldade crescente e minerar Bitcoins acabaram vendo sua lucratividade diminuir por causa da queda na cotação da criptomoeda. Essa combinação de fatores internos (dificuldade, custos) e externos (aversão a risco, preço do Bitcoin) criou um ambiente extremamente adverso.

Por fim, o JPMorgan também chama a atenção para as empresas que apostaram na diversificação com Inteligência Artificial. Embora parecesse uma boa ideia usar o poder computacional ocioso para um mercado em alta como o de IA, a realidade se mostrou mais complexa. Essas mineradoras agora precisam lidar não apenas com os desafios da mineração de Bitcoin, mas também com os altos custos e as dificuldades inerentes ao próprio setor de IA, como a necessidade de infraestrutura específica, competição acirrada e modelos de negócio ainda em desenvolvimento. Isso acabou, segundo o banco, piorando ainda mais o quadro financeiro para essas companhias no período analisado.

O resultado é o que vimos em março: um mês para ser esquecido pelas mineradoras de Bitcoin listadas em bolsa, com perdas bilionárias e muitas incertezas sobre os próximos passos do setor.

Fernando Américo
Fernando Américo
Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvol