
Em meio a um cenário de crescente pressão devido aos recentes números desfavoráveis nas pesquisas de opinião, o novo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Sidônio Palmeira, foi colocado sob os holofotes. Questionado sobre a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após um evento oficial que divulgava ações do governo, Sidônio buscou desviar o foco das métricas de aprovação, argumentando que a preocupação principal deveria ser o trabalho realizado pela gestão.
“Eu acho até engraçado que a gente fez um ato aqui, que é importante de a gente falar das ações do governo. Acho que a gente deveria se concentrar nisso, vocês [jornalistas] estão preocupados com popularidade. Mas a gente pode até abordar isso”, iniciou Sidônio, demonstrando um certo incômodo com a insistência no tema, mas aceitando discuti-lo.
Em sua resposta, o ministro fez questão de distribuir a responsabilidade pela imagem do governo, afirmando que a questão da impopularidade não recai apenas sobre seus ombros ou sobre a pasta que comanda. “Não tem nada de eu me isentar de impopularidade, zero. Eu acho que impopularidade tem a responsabilidade de todos os ministros, todas as áreas. Área política, gestão, comunicação, todo mundo. E que isso já vem de um período”, declarou Sidônio, sugerindo que os desafios de imagem são complexos e herdados, não sendo fruto apenas do trabalho atual de comunicação.
A chegada de Sidônio Palmeira à Secom ocorreu justamente em um momento delicado. Ele foi contratado após o próprio presidente Lula demonstrar publicamente sua insatisfação com o trabalho do antecessor, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), hoje ministro da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul. Na época da troca, muitos analistas e membros do próprio governo atribuíam os baixos índices de aprovação de Lula e da administração federal a supostas falhas na estratégia de comunicação. O próprio Lula chegou a verbalizar essa preocupação em um evento do Partido dos Trabalhadores (PT) em dezembro do ano anterior, afirmando que o governo se comunicava mal com a população.
Conhecido por ter sido o marqueteiro da vitoriosa campanha presidencial de Lula em 2022, Sidônio chegou com a missão de reverter esse quadro. Desde que assumiu, promoveu mudanças significativas na equipe da Secom e na linguagem utilizada nas redes sociais oficiais do governo, buscando um tom mais direto e, talvez, mais alinhado com as expectativas do público digital. Uma das intervenções notáveis partiu dele: a sugestão para que Lula, no evento de divulgação de ações desta quinta-feira, lesse um discurso preparado, em vez de seguir seu estilo característico de improviso. A ideia era, possivelmente, garantir uma mensagem mais coesa e controlada.
Realidade dos números tem se mostrado desafiadora
Apesar das mudanças implementadas na Secom sob o comando de Sidônio, a popularidade de Lula continuou a apresentar queda em praticamente todas as pesquisas de opinião divulgadas nos últimos meses. Esse cenário coloca ainda mais pressão sobre o trabalho do ministro e levanta questionamentos sobre a eficácia das novas estratégias.
Diante desse contexto, Sidônio Palmeira buscou redefinir o escopo de seu trabalho, enfatizando seu papel primordial como informador. “O meu trabalho não é discutir popularidade do presidente e do governo. O meu trabalho, essencialmente, é informar a população sobre isso [as ações do governo] e demonstrar essas ações”, afirmou categoricamente. Ele reforçou essa visão ao dizer:
“Eu estou ministro para demonstrar para a população, informar todas as ações de governo e que ela pode utilizar isso. Quanto à opinião da população sobre o governo, se acha isso, ou diz isso, ou aquilo, aí não é questão de a gente ficar definindo. O meu trabalho é informar. Se todo mundo estiver bem informado, eu acho que eu estou cumprindo o meu trabalho.”
Com essa declaração, ele tenta separar a tarefa de comunicar as realizações da gestão do resultado direto dessa comunicação na opinião pública.
Além da questão da popularidade, Sidônio também teve que lidar com críticas direcionadas ao próprio evento promovido pela Secom. O ato, que apresentou um grande compilado das ações governamentais dos últimos dois anos, foi interpretado por alguns setores como tendo um caráter “eleitoreiro”, visando impulsionar a imagem do governo em um ano de eleições municipais. O ministro rechaçou veementemente essas alegações.
“Acho que é uma leitura errada. Porque, na realidade, o principal objetivo do evento é divulgar as ações do governo”, defendeu Sidônio. Ele concluiu, reforçando sua postura técnica e focada na gestão: “Eu, como ministro, não penso em campanha política. Eu penso em ações de governo.” A fala busca blindar a iniciativa de críticas e reafirmar seu propósito institucional de prestação de contas à sociedade sobre o que o governo federal tem feito. Resta saber se a estratégia de focar na informação será suficiente para, eventualmente, reverter a tendência negativa nas pesquisas.