- Transportadoras dos Correios entram em greve hoje (1º) após não receberem pagamentos de janeiro, paralisando entregas em todo o país
- Empresas alegam inadimplência dos Correios e invocam a Lei 14.133/2021 para justificar a suspensão dos contratos
- Crise pode paralisar logística nacional, já que as transportadoras afirmam ser “impossível” operar sem os repasses atrasados
As transportadoras terceirizadas que prestam serviços para os Correios anunciaram, na noite desta segunda-feira (31), uma paralisação total a partir desta terça-feira (1).
O movimento ocorre devido ao não pagamento dos serviços prestados no mês de janeiro, o que, segundo as empresas, tornou inviável a continuidade das operações de transporte de cargas e entregas em todo o território nacional.
Motivo da paralisação
As transportadoras afirmam que os pagamentos referentes ao faturamento de janeiro de 2025 ainda não foram realizados, descumprindo o prazo contratual de repasse, que deveria ocorrer nos dias 16 e 28 dos meses subsequentes. O atraso, segundo as empresas, já se estende por 90 dias, comprometendo a capacidade de manter as operações.
Em nota, as transportadoras reforçaram a gravidade da situação:
“As empresas não receberam os seus faturamentos de janeiro de 2025, tornando impossível a continuidade das execuções dos serviços de cargas e entregas em âmbito nacional. O descumprimento da data prevista para pagamento inviabiliza a manutenção dos serviços, pois ficamos 90 dias sem recebimentos”.
As transportadoras também ressaltam que, sem os repasses financeiros, não conseguem arcar com os custos de combustível, pagamento de funcionários e manutenção dos veículos, afetando diretamente a qualidade e a continuidade do serviço.
Base legal para suspensão dos serviços
As empresas terceirizadas justificam a decisão com base na Lei 14.133/2021, que regula os contratos administrativos.
Segundo elas, a legislação permite a suspensão do cumprimento das obrigações contratuais quando há inadimplência por parte do contratante, no caso, os Correios. O objetivo é pressionar a estatal para regularizar os pagamentos e evitar maiores prejuízos financeiros.
A medida levanta preocupações quanto ao impacto no fluxo de encomendas, especialmente em períodos de alta demanda. A paralisação pode comprometer as entregas de documentos, produtos adquiridos via e-commerce e correspondências em todo o país.
Resposta dos Correios
Diante do impasse, os Correios divulgaram uma nota oficial afirmando que estão tomando medidas para regularizar os pagamentos gradualmente e minimizar eventuais transtornos.
“Os Correios ainda enfrentam dificuldades em seu sistema de pagamento, contudo vêm realizando o pagamento gradual aos fornecedores. A empresa está trabalhando para resolver a situação o mais rápido possível. Importante ressaltar que o serviço de entrega não sofre impacto e segue operando ininterruptamente em todo o país”, afirma o comunicado.
Apesar da declaração oficial, ainda não há garantia de que todas as entregas seguirão normalmente. A extensão da paralisação e seus impactos dependerão do desdobramento das negociações entre as transportadoras e os Correios nos próximos dias.