
- O setor não reage desde outubro de 2024, acumulando perdas em segmentos essenciais da indústria de transformação.
- O cenário macroeconômico atual desestimula investimentos e dificulta a recuperação do setor.
- A distância em relação ao recorde de 2011 mostra a perda de força da indústria brasileira na última década.
O Brasil registrou queda de 0,1% na produção industrial em fevereiro de 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE. Essa foi a quinta retração mensal consecutiva, evidenciando um cenário persistente de estagnação. Embora a indústria ainda opere 1,1% acima do nível pré-pandemia, ela permanece 15,7% abaixo do pico histórico de maio de 2011. Especialistas apontam que juros elevados, inflação resistente e desvalorização cambial contribuem para o desempenho fraco do setor. As incertezas econômicas também afetam a confiança de empresários e consumidores.
Setores sofrem com retração desigual
O IBGE analisou 25 ramos industriais e identificou queda em 14 deles durante fevereiro. Entre os mais afetados, destacam-se os produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que recuaram 12,3%, além do setor de máquinas e equipamentos, com retração de 2,7%. Esses segmentos sentiram os efeitos da desaceleração da demanda e do encarecimento do crédito.
Apesar das perdas, outros setores conseguiram crescer no período. As indústrias extrativas registraram avanço de 2,7%, enquanto a produção de alimentos cresceu 1,7%. Ainda assim, esses resultados positivos não foram suficientes para compensar a queda geral da indústria.
Além disso, o desempenho desigual entre os setores reforça a dificuldade de uma recuperação sólida. Enquanto alguns segmentos mostram resiliência, outros enfrentam limitações estruturais e dependência de insumos importados, que se tornaram mais caros com a desvalorização do real.
Comparativo anual aponta leve recuperação
Na comparação com fevereiro de 2024, a produção industrial aumentou 1,5%. O crescimento veio principalmente dos setores de veículos automotores e de máquinas e equipamentos, com altas de 13,3% e 11,9%, respectivamente. Esse desempenho positivo, embora modesto, mostra algum dinamismo na comparação interanual.
No entanto, outros setores ainda acumulam algumas perdas. A produção de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis caiu 4,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. As indústrias extrativas também recuaram 3,2% nessa base de comparação.
Portanto, mesmo com certos sinais de recuperação em algumas áreas, o setor industrial se mantém pressionado. As variações entre os segmentos indicam uma retomada lenta e vulnerável a diversos fatores externos e internos.
Juros altos e câmbio instável prejudicam desempenho
Analistas apontam que a taxa básica de juros, atualmente em 10,75% ao ano, continua elevada para estimular a atividade industrial. Com o crédito mais caro, empresas adiam investimentos e reduzem a produção. Além disso, o consumo das famílias também enfraquece, afetando a demanda por bens industriais.
A inflação, mesmo em trajetória de desaceleração, ainda pressiona os custos de produção. Insumos básicos, como energia e combustíveis, continuam com preços elevados. Por isso, empresas enfrentam dificuldades para manter margens de lucro.
Outro fator relevante é o câmbio. A desvalorização do real torna importações mais caras, o que afeta cadeias produtivas dependentes de componentes estrangeiros. Dessa forma, a indústria nacional opera com custos crescentes e ambiente de baixa previsibilidade.
Setor segue abaixo do nível histórico e preocupa analistas
Apesar de alguns indicadores positivos na base anual, a indústria brasileira ainda apresenta uma performance bem frágil. Atualmente, o setor opera 15,7% abaixo do recorde histórico alcançado em maio de 2011. Esse hiato revela o quanto a indústria vem perdendo força ao longo da última década.
Economistas alertam que, sem estímulos à produção e à competitividade, o setor pode continuar em estagnação. A recuperação será dependente de uma combinação de políticas públicas, queda nos juros e estabilidade macroeconômica. Portanto, o cenário atual exige atenção redobrada das autoridades econômicas.