Processo de reestruturação

Telefónica vende operação na Argentina e sinaliza mudanças na América Latina

Operadora global está disposta a vender a maioria de suas operações na região, com exceção do Brasil, no processo de reestruturação.

Telefónica vende operação na Argentina e sinaliza mudanças na América Latina
  • Telefónica vende sua operação argentina para a Telecom Argentina por US$ 1,245 bilhão
  • A empresa está desinvestindo de ativos na região, com foco no Brasil
  • O mercado de telecomunicações pode passar por uma consolidação com a venda de ativos da Telefónica

A Telefónica, uma das maiores operadoras de telecomunicações do mundo, deu um passo importante em sua estratégia de desinvestimento ao anunciar a venda de sua operação na Argentina para a Telecom Argentina por US$ 1,245 bilhão.

Este movimento é parte de um processo mais amplo de reestruturação das operações da empresa na América Latina, com a Telefónica buscando vender a maior parte de seus ativos na região.

De acordo com um relatório do banco Jefferies, a única exceção seria o Brasil. No entanto, um mercado no qual a Telefónica continua a manter uma presença significativa.

Contexto do desinvestimento

Desde 2019, a Telefónica tem se dedicado a explorar alternativas para suas operações na América Latina. Esse movimento começou com a decisão de realizar um spinoff operacional das suas atividades na região. Assim, o que significou a separação de suas operações (exceto Brasil) para buscar maior foco estratégico.

Em 2019, essas operações geraram € 9,9 bilhões em receita e € 2,6 bilhões em lucro operacional. Contudo, esses números caíram significativamente nos últimos anos, com a receita caindo para € 8,8 bilhões e o lucro operacional para € 1,6 bilhão.

De acordo com analistas do Jefferies, essa queda de desempenho está relacionada à redução do capital empregado nas operações da Telefónica devido aos desinvestimentos.

A empresa, no entanto, tem buscado readequar seu portfólio para focar em mercados mais rentáveis e onde ela tem uma posição de liderança mais consolidada, como o Brasil. No entanto, ao mesmo tempo que tenta reduzir sua exposição a mercados de menor crescimento.

Consolidação setorial

Os analistas indicam que, após desinvestimentos na América Central e na Colômbia, o próximo foco de venda pode ser o México. A diminuição da participação de mercado da Telefónica e a redução das margens de lucro criam um cenário propício para a venda de suas operações no país.

Entre os possíveis compradores estão empresas como a AT&T, que já tem operações na região, ou até mesmo a Walmex. Que tem mostrado, portanto, um forte crescimento no mercado mexicano.

Esse movimento de venda da Telefónica pode acelerar a consolidação do setor de telecomunicações na América Latina, abrindo espaço para empresas como a América Móvil, controladora da Claro, que pode se beneficiar dessa reestruturação.

No Chile, por exemplo, a América Móvil planeja investir US$ 300 milhões em 2025 para expandir suas operações no país, onde a Telefónica ocupa a posição de vice-líder no setor de telefonia móvel.

Impacto das mudanças no México e na Colômbia

O cenário no México e na Colômbia é particularmente interessante. No México, a Telefónica enfrenta uma queda de participação de mercado e margens de lucro reduzidas, o que torna sua operação menos atraente. Isso aumenta a probabilidade de que a empresa busque uma venda ou parceria para reduzir sua exposição no país.

No caso da Colômbia, um movimento estratégico foi a criação de uma joint venture (JV) de infraestrutura 5G com a Millicom, o que pode ser um indicativo de que as duas empresas estão se preparando para uma possível fusão ou aliança ainda mais forte no futuro.

Esses movimentos de reestruturação e venda podem alterar o panorama competitivo na região, com empresas como a América Móvil ganhando força e buscando ampliar suas operações.

A possível saída da Telefónica da várias operações na América Latina pode resultar em uma maior concentração do mercado nas mãos de poucos grandes players.

Oportunidades para os investidores

Para os investidores, esses movimentos da Telefónica podem criar novas oportunidades de investimento, especialmente no contexto de um mercado de telecomunicações mais consolidado. À medida que a empresa reestrutura seus ativos, pode haver uma alteração no valor percebido de suas ações.

A venda de ativos de baixo desempenho pode melhorar a eficiência da empresa, enquanto as novas joint ventures e mudanças nas operações podem abrir caminho para um mercado de telecomunicações mais competitivo e com maior potencial de crescimento.

O processo de reestruturação da Telefónica sinaliza uma possível melhoria no desempenho da empresa a longo prazo, enquanto abre espaço para novos investidores aproveitarem as mudanças no setor de telecomunicações da América Latina.

Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ
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