Coincidência?

URGENTE: Banco Master contratou mulher de "Xandão" para representá-lo

Banco Master contrata esposa de Moraes durante venda bilionária ao BRB. Instituição detém R$ 8,7 bilhões em precatórios que podem chegar ao STF; ministro afirma impedimento nos casos.

Alexandre de Moraes - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Alexandre de Moraes - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
  • O escritório da família atua em processos da instituição, que detém bilhões em precatórios com potencial de análise no STF.
  • A operação, que envolve aporte bilionário, está em fase de aprovação no Banco Central.
  • Apesar da justificativa legal, a contratação gera preocupações sobre possíveis conflitos de interesse.

O Banco Master, em meio à venda de parte de suas ações ao BRB, contratou o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes para atuar em sua defesa judicial. Viviane Barci de Moraes, ao lado dos filhos, faz parte da banca que representa a instituição. O banco lida com bilhões em precatórios, ativos que com frequência chegam ao Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes declarou-se impedido nos casos que envolvem o Master.

Escritório da família Moraes assume causas do banco

O Banco Master contratou o escritório Barci de Moraes Advogados Associados para representá-lo em disputas judiciais. Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, integra a banca. Dois filhos do casal também atuam no escritório.

Fontes do setor confirmaram que Viviane atua em causas específicas do banco. Ainda assim, a instituição não revelou os processos em questão. O escritório também não informou os valores dos honorários.

Esse vínculo chamou atenção, pois o banco lida com precatórios — dívidas judiciais contra o poder público. Em muitos casos, esses processos chegam ao STF. Portanto, a atuação de parentes de um ministro em causas com esse potencial provoca questionamentos sobre imparcialidade.

Precatórios bilionários sob litígio podem alcançar o Supremo

O balanço do Banco Master, publicado em 1º de abril, aponta a posse de R$ 8,7 bilhões em precatórios. Desse total, R$ 8,5 bilhões se referem a créditos com decisão judicial favorável, mas ainda não transformados em títulos definitivos.

Esse tipo de ativo costuma gerar litígios longos. Muitas dessas disputas envolvem a União e acabam analisadas no Supremo. Assim, o histórico de atuação do banco eleva a relevância da ligação com o escritório da família do ministro.

Além disso, o Master mantém negócios no mercado secundário de precatórios. Essa prática o coloca com frequência em ações contra entes públicos, como estados e municípios.

Venda ao BRB exige injeção de capital

O Banco Master negocia a venda de 58% de suas ações ao Banco de Brasília por R$ 2 bilhões. A operação, considerada estratégica para o BRB ampliar sua atuação nacional, segue em análise pelo Banco Central.

Enquanto isso, os acionistas do Master começaram a cumprir exigências do acordo firmado. O grupo controlador já realizou um aporte inicial de R$ 1 bilhão, após a aprovação formal da operação, o banco deverá receber mais R$ 1 bilhão. O objetivo é garantir a solidez financeira da instituição antes da conclusão da venda.

Essa capitalização atende exigências regulatórias e protege o BRB de passivos judiciais. Dessa forma, o negócio avança com respaldo legal e financeiro. Mesmo assim, o envolvimento da família do ministro no processo jurídico mantém o tema em debate.

Moraes diz estar impedido nos casos que envolvem o banco

Em resposta à imprensa, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que se declarou impedido em todas as ações relacionadas ao Banco Master. Ele baseou a decisão no Código de Processo Civil, que prevê o afastamento do magistrado em casos de vínculo familiar com partes envolvidas.

Contudo, especialistas apontam que, mesmo com impedimento formal, a contratação pode afetar a percepção pública de neutralidade. A atuação de parentes próximos em causas com impacto nacional pode gerar dúvidas sobre a separação entre os Poderes.

Nesse contexto, a transparência se torna fundamental. Embora legal, a relação entre o escritório e o banco exige atenção da sociedade civil e das instituições de controle.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.