Tensão Diplomática

URGENTE: Paraguai interrompe negociações com o Brasil e cobra explicações por espionagem

Paraguai convoca embaixador brasileiro para cobrar explicações sobre possível espionagem da Abin. Itamaraty confirma reunião, mas ainda não se pronunciou sobre o caso. Ações da PF e apurações continuam em sigilo.

Presidente Lula e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil
Crédito: Depositphotos
  • Governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro após reportagens apontarem atuação irregular da Abin em seu território.
  • Operação pode ter monitorado autoridades estrangeiras com tecnologia avançada, sem autorização judicial.
  • Crise pode prejudicar acordos estratégicos e pressiona o governo brasileiro a fornecer respostas claras.

O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil, João Carlos Parkinson de Castro, para prestar esclarecimentos sobre uma possível ação ilegal de espionagem conduzida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em território paraguaio. A convocação ocorreu nesta terça-feira (1º), após a publicação de reportagens que mencionam o monitoramento clandestino de autoridades estrangeiras, incluindo integrantes do governo paraguaio.

A iniciativa partiu do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai e reflete a preocupação da gestão de Santiago Peña com os desdobramentos do caso. O Itamaraty confirmou o encontro, mas até o momento não se manifestou publicamente sobre o conteúdo da reunião nem sobre a existência de qualquer operação no país vizinho.

Governo paraguaio cobra respostas sobre caso ABIN

Conforme comunicado divulgado pelo chanceler paraguaio Rubén Ramírez, o país vizinho deseja saber com precisão se houve atuação da Abin dentro de suas fronteiras. O governo considera grave qualquer possível violação de sua soberania, especialmente se confirmada a atuação de agentes brasileiros em solo paraguaio sem autorização formal.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai pediu cooperação do Brasil para apurar as denúncias. Ramírez destacou que a convocação foi feita com base na cordialidade diplomática, mas reforçou que o país espera um posicionamento claro do governo brasileiro. O episódio gerou desconforto na diplomacia regional e levou o Paraguai a discutir o tema com outros países do Mercosul.

Contexto da denúncia envolve espionagem ilegal

As suspeitas sobre a atuação da Abin fora do território nacional surgiram a partir da investigação da Polícia Federal brasileira. A corporação apura o uso irregular de ferramentas de geolocalização para monitorar autoridades e jornalistas, durante a gestão do ex-diretor Alexandre Ramagem.

O caso ganhou repercussão após matérias da GloboNews e da Folha de S.Paulo revelarem que a agência espionou cerca de 30 mil pessoas, incluindo cidadãos estrangeiros. Entre os nomes citados em bastidores estariam integrantes de órgãos de segurança e inteligência do Paraguai. No entanto, nenhuma autoridade brasileira confirmou publicamente os alvos internacionais da suposta operação.

De acordo com informações divulgadas por Aguirre Talento, colunista do UOL, os investigadores trabalham com a hipótese de que a Abin tenha usado uma ferramenta de vigilância chamada FirstMile para rastrear dispositivos móveis fora do Brasil. Essa tecnologia permite acessar em tempo real dados de localização sem autorização judicial.

Repercussão aumenta pressão sobre governo brasileiro

No Palácio do Planalto, o episódio gerou desconforto. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) avalia os impactos da crise diplomática e estuda formas de contenção. Embora o governo Lula já tenha afastado servidores envolvidos no suposto esquema de espionagem, a convocação do embaixador brasileiro revela que o tema alcançou um novo patamar nas relações exteriores.

Além disso, o caso pode afetar as negociações comerciais e de segurança na fronteira entre Brasil e Paraguai. O relacionamento entre os dois países é estratégico, sobretudo em temas como energia (por meio da usina de Itaipu), combate ao narcotráfico e integração regional.

Portanto, o desdobramento dessa crise diplomática poderá interferir nas pautas multilaterais do Brasil. Caso se confirme a atuação irregular da Abin no exterior, será necessário reformular protocolos de inteligência e comunicação institucional com países parceiros.

Investigações seguem em sigilo, mas podem escalar para esfera internacional

A Polícia Federal continua apurando as operações conduzidas pela Abin durante a gestão anterior. As diligências correm sob sigilo, mas fontes indicam que novos depoimentos e quebras de sigilo de ex-agentes já foram autorizados pela Justiça. O Ministério Público Federal também acompanha o caso e poderá atuar no campo internacional, caso haja confirmação do envolvimento com países estrangeiros.

A embaixada do Brasil no Paraguai não comentou o teor da reunião nem forneceu detalhes sobre os próximos passos. O Itamaraty, por sua vez, reforçou que o Brasil respeita os tratados internacionais de soberania e está aberto ao diálogo diplomático para resolver o impasse.

Na prática, a convocação do embaixador acende um alerta sobre a imagem internacional do Brasil em temas sensíveis como privacidade, segurança e respeito às fronteiras. A depender das conclusões das investigações, o episódio pode resultar em ações mais duras por parte de governos estrangeiros e de organismos internacionais.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.
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