Impacto Reduzido

XP diz que tarifas impostas ao Brasil foram "positivas"

A XP Investimentos avaliou que as tarifas dos EUA ao Brasil têm impacto limitado e podem gerar oportunidades. Com isso, o dólar caiu 1,48% e o Ibovespa subiu 0,86%.

Imagem XP Investimentos - Reprodução XP
Imagem XP Investimentos - Reprodução XP
  • A moeda reagiu de forma positiva ao anúncio, refletindo expectativa de impacto menor do que o inicialmente previsto.
  • A Bolsa brasileira avançou diante da leitura de que os efeitos das tarifas sobre o Brasil serão limitados.
  • Enquanto o governo critica a decisão, especialistas enxergam abertura para novas parcerias, especialmente com a China.

O mercado financeiro brasileiro reagiu positivamente ao pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos. Apesar da preocupação inicial, investidores avaliaram que o impacto foi mais brando do que o esperado. Com isso, o dólar comercial caiu 1,48%, chegando a R$ 5,615. Já o Ibovespa subiu 0,86%, encerrando o pregão em 132.316 pontos. O governo brasileiro criticou a medida americana, enquanto economistas apontaram que setores estratégicos podem até se beneficiar do novo cenário.

Anúncio de tarifa provoca reações imediatas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no início da semana a aplicação de uma tarifa de 10% sobre importações brasileiras. A medida gerou tensão inicial nos mercados. No entanto, conforme analistas avaliaram melhor o conteúdo das sanções, o temor deu lugar a uma interpretação mais moderada.

Como resultado, o dólar recuou 1,48% no pregão de quarta-feira (2), fechando cotado a R$ 5,615. Durante o dia, chegou a atingir R$ 5,607, o menor valor registrado no mês. O movimento mostrou que os investidores apostam em impactos limitados das tarifas sobre o comércio bilateral.

Além disso, o Ibovespa avançou 0,86%, encerrando o dia em 132.316 pontos. Esse desempenho reflete a percepção de que o pacote tarifário, embora negativo, não afetará de forma decisiva os principais setores da economia brasileira.

Economistas apontam efeitos amenos para o Brasil

Relatórios divulgados por consultorias financeiras indicaram que o impacto das tarifas pode ser menor do que o mercado temia. A XP Investimentos, por exemplo, classificou o saldo da medida como “positivo para o Brasil”, especialmente diante de oportunidades futuras na relação com a China.

Além do mais, os analistas destacaram que setores como o agronegócio e a infraestrutura podem se beneficiar de investimentos asiáticos. A expectativa é que a China, em busca de novos parceiros comerciais, intensifique a cooperação com países da América Latina, incluindo o Brasil.

Portanto, mesmo diante do anúncio dos Estados Unidos, parte do mercado vê no cenário atual uma chance para o Brasil diversificar seus parceiros e reduzir a dependência do comércio com os norte-americanos.

Governo brasileiro reage e critica sanções

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), junto com o Itamaraty, publicou nota oficial condenando a decisão dos EUA. Na visão do governo, a medida viola regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudica exportações brasileiras.

No comunicado, os ministérios destacaram que todas as exportações de bens podem sofrer impacto, mesmo aquelas que não estavam diretamente na lista inicial de sanções. Por isso, o governo estuda recorrer às instâncias multilaterais para contestar a medida americana.

Além disso, o Brasil terminou o ano de 2024 com déficit na balança comercial com os Estados Unidos. Esse desequilíbrio comercial reforça a importância do mercado americano para o país, o que aumenta a preocupação com qualquer restrição de acesso a esse parceiro.

Queda do dólar se soma a pressões externas

Os efeitos do anúncio de Trump também foram sentidos fora do Brasil. Os mercados europeus encerraram o dia em baixa, refletindo a preocupação global com o possível aumento do protecionismo. O DAX, da Alemanha, recuou 2,28%. Já o Euro Stoxx 50 caiu 3,06%, enquanto o FTSE 100, de Londres, fechou em queda de 1,39%.

Contudo, o alívio observado no Brasil contrastou com a cautela de outras economias. Isso mostra que o impacto imediato foi mais forte em parceiros comerciais diretos dos EUA. No Brasil, a reação mais amena foi possível porque a tarifa anunciada ficou abaixo das expectativas mais pessimistas.

Portanto, o cenário, apesar de tenso, trouxe uma onda de otimismo moderado para o mercado brasileiro. Ainda assim, especialistas alertam que desdobramentos futuros da política comercial dos EUA exigem vigilância contínua.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.