
- Flamengo e Corinthians articulam acordo para negociar juntos direitos de TV e propriedades comerciais do Brasileirão a partir de 2030.
- Parceria inclui alinhamento político em ligas, governança do campeonato e Fair Play financeiro.
- Movimento busca ampliar receitas, manter controle sobre ativos e aumentar influência nas decisões do futebol brasileiro.
Segundo Informação divulgada em primeira mão por Rodrigo Mattos – Colunista do UOL, Flamengo e Corinthians, donos das maiores torcidas do Brasil, estão próximos de fechar um pacto inédito para a venda conjunta dos direitos de TV e propriedades comerciais do Campeonato Brasileiro. Sendo assim, as tratativas avançaram a ponto de já existir um documento formal consensuado entre as partes, que veem na parceria uma oportunidade estratégica e financeira.
Nesse sentido, o movimento ocorre após os clubes recusarem a adesão ao Memorando de Entendimento (MOU) da Libra e da LFU para criação de uma nova liga. Em vez de ceder a maior parte de suas propriedades comerciais, decidiram se unir para potencializar receitas e manter maior controle sobre seus ativos.
Aproximação nos bastidores
A reaproximação se intensificou com conversas diretas entre Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, e Osmar Stabile, presidente do Corinthians. Ambos defendem que a criação de uma liga não pode significar perda de valor ou de direitos para seus clubes.
Além disso, o avanço também depende de um fator político: se o Congresso aprovar o impeachment do presidente afastado Augusto Mello neste sábado, as partes considerarão certa a assinatura do acordo. O presidente do Conselho do Corinthians, Romeu Tuma Jr, já manifestou apoio à parceria.
Para as diretorias, o peso de Flamengo e Corinthians, que concentram entre 39% e 40% da audiência nacional, garante poder de barganha. Portanto, no entendimento dos clubes, contratos atuais da LFU e da Libra, que destinam de 13% a 15% das receitas para cada um, não refletem seu real valor de mercado.
Estrutura do acordo
O MOU em negociação prevê que Flamengo e Corinthians atuem juntos nas negociações de direitos de TV e propriedades comerciais do Brasileirão a partir de 2030, após o fim dos contratos vigentes, estendendo-se até 2039. As tratativas incluem também patrocínios e placas publicitárias.
Assim, as partes definiriam a distribuição das receitas em momento posterior, mas unificariam a interlocução comercial para evitar negociações isoladas. A parceria pode se expandir para outros acordos de marketing conjuntos, embora essa possibilidade ainda esteja em discussão.
Desse modo, os Conselhos Deliberativos de cada clube precisariam aprovar todos os contratos firmados, conforme determinam seus estatutos. Isso garante que a autonomia institucional seja preservada, mesmo com a atuação conjunta.
Alinhamento político e estratégico
O acordo vai além da parte comercial. Flamengo e Corinthians pretendem adotar posições conjuntas em pautas como governança do Brasileirão, atuação em ligas e implementação de um Fair Play financeiro. Assim, seus votos e posicionamentos em decisões estratégicas seriam unificados.
Ademais, mesmo que optem por integrar uma futura “Nova Liga” com outros clubes, as questões comerciais permaneceriam exclusivas da parceria. Isso permitiria participar da definição estrutural da liga sem abrir mão de seu modelo de negócios próprio.
Portanto, os dois clubes também preveem compartilhar práticas de gestão, governança e regulamentos internos, visando aprimorar processos administrativos e fortalecer institucionalmente as agremiações.
Impactos e objetivos
O principal objetivo da união é garantir receitas robustas e evitar isolamento nas negociações com veículos de mídia. Unidos, os dois clubes detêm poder suficiente para influenciar contratos e valores no mercado esportivo brasileiro.
Além disso, para Flamengo e Corinthians, a parceria representa não apenas uma estratégia de maximização de lucros, mas também um passo para manter protagonismo político no futebol nacional.
Por fim, a expectativa é que essa aliança seja um marco na forma como os direitos comerciais do Brasileirão são negociados.