Setor siderúrgico

JPMorgan melhora visão sobre Usiminas (USIM5) e ações sobem; Gerdau segue preferida no setor

Banco vê risco limitado para USIM5 após queda de 60% e mantém Gerdau como top pick, enquanto alerta para ambiente desafiador no aço brasileiro.

Usiminas
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  • JPMorgan eleva recomendação de Usiminas para neutra após queda de 60%
  • Gerdau segue como preferida no setor, com preço-alvo ajustado para R$ 28
  • Setor siderúrgico ainda sofre com importações recordes e baixa competitividade

O JPMorgan elevou a recomendação de Usiminas (USIM5) de underweight (venda) para equal-weight (neutra), considerando que os riscos já estão refletidos no preço das ações. Após o anúncio, os papéis da companhia subiam 4,65%, cotados a R$ 4,73 às 10h27 desta segunda-feira (8).

O banco destaca que, mesmo diante do aumento das importações de aço da China, a ação caiu cerca de 60% desde 2024, saindo de R$ 11 (pós-reforma do Alto-Forno 3) para o patamar atual de R$ 4. O relatório aponta que o movimento limita novas quedas e abre espaço para valorização. Isso pode ocorrer se o Brasil aprovar medidas antidumping ou se políticas chinesas reduzirem a pressão das exportações.

Gerdau segue como destaque

Apesar da melhora de recomendação para a Usiminas, a Gerdau (GGBR4) segue como a escolha preferida do JPMorgan no setor. O banco elevou o preço-alvo da ação de R$ 27,50 para R$ 28,00 e reforçou a recomendação de compra, destacando a exposição da empresa ao mercado norte-americano.

A presença da Gerdau nos EUA permite capturar os efeitos das tarifas impostas pelo governo americano, que recentemente subiram de 25% para 50% sobre o aço importado. Essa proteção favorece preços mais altos e maior demanda na região. Atualmente, a companhia negocia a 4,0 vezes EV/EBITDA para 2026.

CSN sob pressão

Para a CSN (CSNA3), o JPMorgan manteve recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 9,50 para R$ 8,00, refletindo maior preocupação com a estratégia de dívida da empresa.

A alavancagem pós-aquisições chegou a 4,6 vezes, acima dos pares, o que limita o potencial de valorização, estimado em apenas 3% frente ao preço atual de mercado.

Ambiente desafiador para o aço brasileiro

Apesar das recomendações pontuais, o banco ressalta que o setor siderúrgico brasileiro enfrenta um ambiente excepcionalmente adverso. Importações recordes já respondem por 22% a 25% do consumo interno, bem acima da média histórica de 10%, enquanto as usinas locais operam com cerca de 35% de capacidade ociosa.

Exportações, antes uma válvula de escape, também perderam fôlego devido a barreiras internacionais, especialmente nos EUA, onde tarifas sobre o aço brasileiro dobraram em 2025.

Fatores de sustentação

Ainda assim, a demanda doméstica em setores como defesa, agronegócio, energia e manufatura tem ajudado a mitigar parte das perdas. Além disso, a queda recente das matérias-primas oferece algum alívio nos custos.

O JPMorgan afirma que a trajetória futura do setor dependerá de políticas públicas de defesa comercial. Também dependerá de uma possível mudança na postura da China sobre exportações, algo improvável no curto prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.