Varejo pet

Petlove faz movimento inesperado e disputa ativos caso fusão Petz-Cobasi (PETZ3) avance

Terceira maior varejista do setor quer ficar com lojas e operações que podem ser obrigadas a sair do negócio.

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  • Decisão do Cade deve contrariar parecer inicial que aprovou a operação sem remédios
  • A Petlove quer adquirir ativos que a Petz e a Cobasi poderão vender caso a fusão enfrente restrições.
  • Empresa afirma ser única com porte e escala para assumir desinvestimentos

A Petlove pediu ao Cade para ser a compradora dos ativos desinvestidos caso a fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi seja aprovada com restrições. O julgamento do órgão antitruste está marcado para quarta-feira, 10, e deve definir o futuro da maior operação do varejo pet no país.

Embora discorde da fusão, a Petlove afirmou que está preparada para assumir unidades e operações que possam ser exigidas como “remédio” para reduzir concentração e preservar a concorrência.

Petlove busca posição estratégica em meio ao impasse

A fusão está em análise desde meados de 2024, e a Petlove atua no processo como terceira interessada. Apesar disso, ela vinha defendendo a reprovação total da combinação Petz–Cobasi.

Contudo, diante dos sinais de aprovação com ajustes, a empresa mudou a estratégia e pediu para assumir os ativos que podem ser vendidos.

A Petlove argumentou que, mesmo mantendo críticas à operação, considera natural que as empresas tentem viabilizar o negócio usando desinvestimentos. Assim, posiciona-se como possível compradora para evitar distorções competitivas.

Além disso, a varejista reforçou preocupação com o impacto da fusão nas cidades onde Petz e Cobasi já possuem forte presença conjunta.

Remédios do Cade podem incluir venda obrigatória de lojas

Entre os remédios considerados pelo Cade está justamente o desinvestimento de ativos, prática comum em fusões de grande porte.

Segundo a Petlove, ela seria a “candidata natural” para assumir esses pontos, já que possui escala, marca consolidada e forte atuação online.

A empresa também destacou que o Cade costuma exigir que o comprador seja independente e financeiramente viável. Por isso, defendeu que cumpre todos os requisitos e pode garantir a efetividade das medidas.

Com isso, tenta se antecipar à decisão do tribunal e se colocar como compradora preferencial, caso o desinvestimento se torne obrigatório.

Petlove afirma ter porte superior ao de rivais menores

No documento enviado ao Cade, a Petlove afirmou ter faturamento quase cinco vezes maior do que outras redes do setor, como Petcamp, Petland e American Pet.

A empresa também ressaltou sua estratégia omnicanal, que combina lojas físicas, marketplace e e-commerce.

Segundo sua equipe jurídica, a escala e a relevância nacional tornam a Petlove a única candidata capaz de absorver os ativos sem prejuízo à competição. Assim, a empresa tenta afastar rivais menores e garantir prioridade na disputa.

Além disso, reforçou que seu perfil permitiria preservar a rivalidade no setor de forma mais eficiente do que alternativas menos estruturadas.

Decisão deve contrariar parecer da Superintendência-Geral

Caso a fusão seja aprovada com remédios, o tribunal do Cade deverá divergir da Superintendência-Geral, que havia aprovado o negócio sem restrições em junho de 2025.

A decisão subiu ao tribunal após recurso apresentado ainda em junho, o que abriu nova etapa de análise.

Agora, o julgamento desta quarta-feira deve definir não apenas o destino de Petz e Cobasi, mas também o espaço que a Petlove poderá ocupar no novo mercado consolidado.

O resultado pode alterar o equilíbrio competitivo do setor pet e redirecionar investimentos das três maiores redes do segmento.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.