
- Fertilizantes já geraram mais de R$ 10 bilhões em prejuízos à Petrobras
- Fábricas somam 1,1 milhão de toneladas/ano de capacidade produtiva
- Estatal investiu R$ 76 milhões para retomar ativos evitados no governo Bolsonaro
A Petrobras (PETR4) retomou em janeiro de 2026 a produção de fertilizantes nitrogenados em suas fábricas de Sergipe e Bahia, reabrindo um negócio que acumulou prejuízos bilionários ao longo da última década e que havia sido evitado no governo anterior.
Entre 2015 e 2020, o segmento de fertilizantes da estatal registrou perdas superiores a R$ 10 bilhões, segundo dados históricos da companhia, o que levou à paralisação das unidades e à tentativa de saída definitiva do setor.
Capacidade elevada, rentabilidade historicamente baixa
A fábrica de Laranjeiras (SE) tem capacidade para produzir cerca de 1,8 mil toneladas de ureia por dia, enquanto a unidade de Camaçari (BA) pode fabricar aproximadamente 1,3 mil toneladas diárias, somando mais de 1,1 milhão de toneladas por ano se operarem em plena carga.
Apesar do volume relevante, essas plantas enfrentam custos elevados de gás natural, principal insumo do processo, além de forte concorrência de produtos importados, especialmente do Oriente Médio e da Rússia, com preços mais competitivos.
Foi justamente esse cenário que levou a Petrobras, na gestão anterior, a priorizar o core business de exploração e produção, onde a empresa alcançou margens superiores a 40% no Ebitda, enquanto os fertilizantes operavam no vermelho.
Mudança de foco pressiona debate sobre alocação de capital
Para reativar as unidades, a Petrobras investiu cerca de R$ 76 milhões, sendo R$ 38 milhões em cada fábrica, destinados a manutenção, recomissionamento e adequações operacionais.
A estatal estima que, com as plantas do Nordeste e a unidade do Paraná, pode atender até 20% da demanda nacional de ureia, hoje majoritariamente importada. Ainda assim, o Brasil segue comprando mais de 85% dos fertilizantes nitrogenados no mercado externo.
O retorno a ativos de baixo retorno histórico reacende o debate entre investidores sobre disciplina de capital, risco de decisões orientadas por política pública e impacto na geração de valor da Petrobras (PETR4).