
- Raízen (RAIZ4) espera homologar sua recuperação extrajudicial até setembro.
- Companhia afirma possuir quase R$ 14 bilhões em caixa e descarta preocupação imediata com liquidez.
- Citi colocou a recomendação das ações sob revisão e reforçou atenção sobre a reestruturação financeira.
A Raízen (RAIZ4) espera obter até setembro a homologação judicial de seu plano de recuperação extrajudicial, após conquistar a adesão de mais de 80% dos créditos envolvidos na reestruturação financeira da companhia.
Além disso, a empresa tenta convencer investidores de que possui liquidez suficiente para enfrentar o atual momento, mesmo após registrar um dos períodos mais difíceis de sua história recente.
Recuperação extrajudicial entra em fase decisiva
Segundo a administração, a aprovação formal do plano é um dos principais objetivos para os próximos meses. A companhia negocia atualmente uma reestruturação envolvendo cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
Durante teleconferência com analistas, o CEO Nelson Gomes afirmou que a combinação entre reorganização financeira e transformação operacional será essencial para que a empresa volte a gerar valor de forma sustentável.
Nesse contexto, a Raízen reforçou que está concentrando recursos em áreas consideradas estratégicas e reduzindo a complexidade de sua estrutura corporativa.
Caixa deixa de ser principal preocupação
Apesar do elevado endividamento, a diretoria afirmou que a posição de liquidez permanece confortável. Ao final da safra, a companhia possuía quase R$ 14 bilhões em caixa.
Segundo o diretor financeiro Lorival Luz, esse valor está cerca de 50% acima do nível mínimo considerado necessário para manter as operações funcionando normalmente.
Além disso, a empresa afirmou que seu planejamento financeiro já considerava um cenário mais desafiador para os mercados de açúcar e etanol, reduzindo riscos imediatos de liquidez.
Citi acende alerta sobre as ações
Após a divulgação dos resultados, o Citi colocou a recomendação para as ações da Raízen sob revisão, aumentando a atenção do mercado sobre o futuro da companhia.
Para os analistas do banco, os ganhos operacionais continuam sendo ofuscados pelo peso da alavancagem financeira e pelos elevados custos de juros, que seguem pressionando os resultados.
Além disso, o Citi destacou que os ajustes contábeis e as perdas reconhecidas no balanço reforçam a percepção de estresse financeiro, mantendo o foco dos investidores na execução da recuperação extrajudicial.