Caso específico

Raízen (RAIZ4) é exceção, diz Itaú BBA; banco mantém confiança no setor

Maior reestruturação extrajudicial do país não altera visão positiva sobre usinas de açúcar e etanol.

Raízen (RAIZ4) é exceção, diz Itaú BBA; banco mantém confiança no setor
  • Raízen (RAIZ4) é vista pelo Itaú BBA como um caso isolado dentro do setor.
  • Banco afirma que usinas chegam mais preparadas para enfrentar margens menores.
  • Produção de etanol deve atingir recorde de 38,4 bilhões de litros na safra 2026/27.

A Raízen (RAIZ4) continua sendo tratada pelo Itaú BBA como um caso isolado dentro do setor sucroenergético. Segundo o banco, a reestruturação de R$ 65 bilhões da companhia não reflete a situação financeira da maior parte das usinas brasileiras.

Além disso, a instituição afirmou que o setor chega ao atual ciclo de preços mais baixos com menor alavancagem, mais liquidez e dívidas mais longas do que em crises anteriores.

Itaú afasta risco sistêmico após caso Raízen

Durante apresentação do relatório Visão Agro 2026/27, o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes, afirmou que a situação da Raízen não mudou a percepção de risco do banco sobre o segmento.

Segundo ele, as empresas aproveitaram os anos de preços elevados para fortalecer balanços e alongar passivos.

Por isso, o banco não vê sinais de uma crise generalizada no setor de açúcar e etanol.

Usinas chegam mais preparadas para ciclo difícil

De acordo com o Itaú BBA, as usinas entraram neste ciclo com alavancagem inferior a 1,5 vez, nível significativamente menor do que os mais de 2,5 vezes registrados em períodos anteriores de crise.

Além disso, o acesso ao mercado de capitais permitiu alongar vencimentos e ampliar a liquidez das companhias.

Na avaliação do banco, esse cenário reduz o risco de cortes abruptos de investimentos e aumenta a capacidade de atravessar um período de margens mais pressionadas.

Produção deve crescer mesmo com pressão nos preços

O Itaú BBA projeta moagem de 644,8 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul na safra 2026/27, avanço de 5,5% em relação ao ciclo anterior.

Além disso, o banco espera produção recorde de 38,4 bilhões de litros de etanol, impulsionada pelo crescimento da oferta de cana e pelo avanço do etanol de milho.

Apesar disso, a instituição alerta que preços mais baixos, juros elevados e incertezas regulatórias continuam pressionando a rentabilidade das empresas do setor.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.