
- Importações de diesel caíram para cerca de 600 mil m³ em junho.
- Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) podem se beneficiar de margens mais elevadas.
- BTG mantém preferência por UGPA3 entre as distribuidoras de combustíveis.
A forte redução das importações de diesel em junho acendeu um sinal positivo para as distribuidoras de combustíveis. Segundo dados da Secex, o Brasil importou cerca de 600 mil m³ do combustível no mês, volume bem abaixo dos 1,4 milhão de m³ registrados em maio e dos 1,3 milhão de m³ observados em junho do ano passado.
Na avaliação de BTG Pactual e Goldman Sachs, o movimento reduz a concorrência de combustíveis importados e favorece empresas com maior acesso ao diesel da Petrobras (PETR3; PETR4), como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3).
Menos diesel importado, mais espaço para margens
O BTG classificou os números como uma surpresa negativa para os importadores. As compras vindas da Rússia, principal origem do diesel importado pelo Brasil, caíram para cerca de 350 mil m³, muito abaixo da média recente.
Para os analistas, a demanda doméstica continua forte, enquanto a menor oferta importada cria um ambiente mais favorável para as distribuidoras.
O Goldman Sachs também avalia que a redução das importações pode resultar em margens melhores do que as projetadas atualmente para o setor.
Vibra e Ipiranga podem se beneficiar
Segundo o Goldman, o programa de subsídio ao diesel doméstico e a menor disponibilidade de combustível russo ajudaram a reduzir a competitividade das importações.
Com isso, distribuidoras com maior acesso ao produto da Petrobras, como a Vibra e a Ipiranga, controlada pela Ultrapar, ganharam vantagem competitiva.
O banco projeta margens ajustadas de Ebitda de R$ 320 por m³ para a Vibra e de R$ 305 por m³ para a Ipiranga, mas vê espaço para números ainda melhores caso o mercado permaneça mais apertado.
BTG mantém preferência por Ultrapar
Apesar da queda das importações, os bancos não enxergam risco relevante de desabastecimento no país.
A expectativa é que a Petrobras amplie suas importações ao longo do segundo semestre, ajudando a equilibrar a oferta.
Mesmo assim, o BTG segue com visão positiva para o segmento e mantém a Ultrapar (UGPA3) como sua principal escolha no setor, apostando em um cenário de concorrência mais racional e margens sustentadas nos próximos meses.