
- A Motiva (MOTV3) pode encontrar no leilão da Régis Bittencourt uma oportunidade estratégica para ampliar seu portfólio de rodovias.
- A concessão prevê R$ 7,2 bilhões em investimentos, enquanto o retorno estimado pelo Bradesco BBI pode chegar a 20%.
- A reciclagem de capital da companhia pode ampliar sua capacidade financeira para disputar o ativo sem pressionar excessivamente o balanço.
A Motiva (MOTV3) pode encontrar no leilão da Rodovia Régis Bittencourt uma oportunidade estratégica para ampliar seu portfólio de concessões. Marcada para 23 de julho, a disputa envolve um corredor logístico relevante entre São Paulo e Curitiba.
Além disso, o novo contrato terá duração de 15 anos e prevê R$ 7,2 bilhões em investimentos. Segundo analistas, o ativo pode oferecer retornos atrativos, embora a competição e as condições financeiras das concessionárias devam influenciar os lances.
Motiva pode aproveitar reciclagem de capital
O BTG Pactual avalia que a concessão se encaixa na estratégia da Motiva. A companhia vem reciclando capital com a venda de aeroportos e possíveis desinvestimentos em participações ferroviárias, abrindo espaço para ampliar sua exposição a rodovias.
Nesse sentido, o modelo do leilão também pode favorecer a disciplina financeira. A disputa será definida pelo maior desconto na tarifa de pedágio e não exigirá uma outorga antecipada, reduzindo a pressão imediata sobre o caixa.
Além disso, a Régis Bittencourt possui tráfego relevante de veículos pesados e conecta importantes centros econômicos ao corredor do Porto de Paranaguá. Dessa forma, a rodovia pode oferecer receitas mais resilientes ao futuro vencedor.
Retorno pode chegar a 20%
O Bradesco BBI estima que o projeto possa gerar retorno real alavancado entre 15% e 20%, considerando determinadas premissas operacionais e financeiras. Já a taxa inicial calculada pelo governo ficou em 11,41%, segundo o BTG.
Por outro lado, o vencedor assumirá a concessionária atual e sua dívida líquida. Portanto, a análise dos passivos existentes e das condições contratuais será essencial para determinar o retorno efetivo do investimento.
Ainda assim, os juros elevados e o consumo de caixa provocado por leilões anteriores podem limitar propostas excessivamente agressivas. Assim, mesmo com vários interessados, os bancos esperam uma disputa mais disciplinada pelo ativo.
Concorrência entra no radar
Além da Motiva, outras empresas e investidores acompanham a concessão. Entre os possíveis interessados estão grupos com atuação relevante no setor de infraestrutura e rodovias.
Entretanto, o cenário de juros altos exige cautela na alocação de capital. Para a Motiva, a decisão dependerá principalmente do desconto tarifário necessário para vencer e do retorno esperado após os investimentos previstos.
Por fim, uma eventual vitória poderia reforçar a estratégia da companhia de concentrar capital em concessões rodoviárias consideradas premium. O leilão de 23 de julho, portanto, entra no radar como um possível novo vetor de expansão para a Motiva.