
- Azzas 2154 (AZZA3) foi rebaixada para venda pelo BofA.
- Renner (LREN3), Natura (NATU3) e Alpargatas (ALPA4) também perderam recomendação de compra.
- Fim da “taxa das blusinhas” elevou temor sobre avanço das importações chinesas.
O Bank of America (BofA) promoveu um corte generalizado nas recomendações do setor de varejo brasileiro após o fim da chamada “taxa das blusinhas”, medida que eliminou o imposto federal sobre compras internacionais abaixo de US$ 50.
O movimento atingiu em cheio empresas como Azzas 2154 (AZZA3), Renner (LREN3), Natura (NATU3) e Alpargatas (ALPA4), com o banco citando aumento da concorrência internacional, pressão operacional e risco sobre margens.
Azzas 2154 vira principal alvo do BofA
O corte mais agressivo atingiu a Azzas 2154 (AZZA3), dona de marcas como Arezzo, Hering, Reserva e Farm.
O BofA rebaixou a recomendação de neutra para venda e reduziu o preço-alvo de R$ 28 para R$ 17, enxergando risco de queda adicional para as ações.
Além disso, o banco destacou preocupações com concorrência estrangeira, desafios operacionais e tensão envolvendo a governança corporativa após a disputa judicial entre Roberto Jatahy e Alexandre Birman.
O relatório ainda reduziu fortemente as projeções de lucro por ação entre 2026 e 2028.
Renner, Natura e Alpargatas também entram na mira
A Renner (LREN3) teve recomendação cortada de compra para neutra.
O preço-alvo caiu de R$ 20 para R$ 16, enquanto o BofA alertou que consumidores de renda média e baixa podem migrar para plataformas internacionais mais baratas.
Na Natura (NATU3), o banco destacou avanço de marcas asiáticas de skincare e maior vulnerabilidade da Avon diante das importações mais acessíveis.
O relatório ainda afirmou que o cenário pode até comprometer a compra de participação anunciada pela Advent.
Enquanto isso, a Alpargatas (ALPA4) também foi rebaixada para neutra, com preço-alvo reduzido de R$ 15 para R$ 12.
Concorrência internacional vira maior ameaça
Segundo o BofA, o retorno das importações de baixo valor pode pressionar diretamente as varejistas brasileiras em um momento de consumo ainda fragilizado.
O banco ressaltou que fabricantes chineses operam com custos muito inferiores aos do Brasil, permitindo preços mais competitivos.
Além disso, o ambiente de juros elevados e endividamento das famílias aumenta o risco de migração do consumidor para produtos importados de menor preço.