Negócios

Chevron pode comprar 30% da Ipiranga e movimentar Ultrapar (UGPA3); negócio já teria preço definido

Conversas entre Chevron e Ultrapar (UGPA3) avançam após quase um ano de negociações; acordo pode destravar valor da Ipiranga e mudar estratégia da companhia.

Posto Ipiranga Ultrapar
Posto Ipiranga Ultrapar
  • Chevron negocia compra de 30% da Ipiranga em acordo com a Ultrapar (UGPA3)
  • Preço da transação já teria sido definido, e negociações avançam para discutir governança
  • Venda pode liberar capital para novos investimentos e reacender especulação envolvendo Rumo (RAIL3)

A Ultrapar (UGPA3) está em conversas avançadas com a Chevron para vender cerca de 30% da Ipiranga, segundo fontes próximas às negociações. As tratativas ocorrem há aproximadamente um ano e agora entraram na fase de discussão de governança.

Segundo pessoas envolvidas nas negociações, as partes já teriam acordado o preço da transação. Ainda assim, o acordo final depende da definição da estrutura societária e pode sofrer impacto do cenário geopolítico, incluindo a tensão envolvendo o Irã e o mercado de petróleo.

Movimento estratégico da Ultrapar

A aproximação entre as empresas foi facilitada porque Ultrapar e Chevron já são sócias na Iconic, joint venture de lubrificantes na qual a Ultrapar possui 54% e a Chevron 46%. Essa relação prévia ajudou a acelerar as negociações.

Além disso, o mercado considera o momento da possível venda oportuno. O setor de distribuição de combustíveis vem registrando melhora nas margens, impulsionada por ações mais duras contra sonegadores e devedores contumazes.

Com isso, grandes distribuidoras como Ipiranga, Vibra e Raízen (RAIZ4) passaram a operar em um ambiente mais favorável, o que pode elevar o valor estratégico de participações no setor.

Negócio pode destravar novos movimentos

Internamente, a decisão de vender parte da Ipiranga está ligada à gestão de portfólio da Ultrapar (UGPA3). A ideia é liberar capital para investir em negócios com maior potencial de crescimento, enquanto a distribuidora já opera em um estágio mais maduro.

Nos últimos anos, o peso da Ipiranga no resultado da companhia caiu. Pela primeira vez, a divisão respondeu por menos de 50% do EBITDA da Ultrapar, após já representar mais de 70% do lucro operacional em períodos anteriores.

Ao mesmo tempo, um eventual acordo pode reacender especulações no mercado sobre uma possível movimentação envolvendo a Rumo (RAIL3). Isso porque a Cosan (CSAN3) possui cerca de 30% da operadora ferroviária, e analistas já defendem a venda dessa participação para reduzir alavancagem.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.