Risco logístico

Conflito no Oriente Médio pode encarecer frango brasileiro e ligar alerta no agro

Frete marítimo, petróleo e fertilizantes entram na conta e ameaçam exportações para a região.

frangos1ana.jpg
frangos1ana.jpg
  • Frango representa 14,5% das exportações agro ao Oriente Médio
  • Rotas como Ormuz e Mar Vermelho elevam risco logístico
  • Alta do petróleo pode encarecer frete e produção

O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos já começa a afetar o Brasil, não diretamente no campo de batalha, mas na economia. O impacto chega principalmente ao agronegócio brasileiro, com risco sobre as exportações de carne de frango.

O problema não é falta de compradores. O temor está no caminho até o destino, já que a região concentra algumas das rotas logísticas mais importantes do comércio global.

O tamanho do risco para o Brasil

Dados oficiais mostram que carnes de aves representam 14,5% das exportações agrícolas brasileiras para o Oriente Médio, tornando o frango o terceiro principal produto enviado ao bloco.

À frente aparecem:

  • milho não moído (20,8%)
  • açúcares e melaços (17,4%)

Além disso, carne bovina, farelo de soja e café também fazem parte relevante da pauta exportadora.

O problema não é demanda, é logística

O conflito ameaça rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, essenciais para o transporte marítimo.

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) informou que monitora a crise e já avalia rotas alternativas usadas em conflitos anteriores.

Há um alívio parcial: o Brasil não possui volume relevante de embarques de frango diretamente para o Irã, reduzindo o impacto imediato de um bloqueio bilateral.

Petróleo pode piorar a situação

O maior efeito pode vir da energia.

Com tensões geopolíticas, o petróleo tende a subir, elevando:

  • custo do bunker (combustível dos navios)
  • prêmios de seguro marítimo
  • prazo de entrega

Além disso, fertilizantes também entram na equação, pressionando o custo de produção no campo.

O que pode acontecer agora

Crises no Oriente Médio raramente derrubam a demanda por alimentos, mas sempre aumentam a incerteza operacional.

Assim, no curto prazo, o setor acompanha fretes e seguros.

Já no médio prazo, o impacto dependerá principalmente do preço do petróleo e da duração do conflito.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.