Cautela

Fusão da Petz (PETZ3) empolga no papel, mas analistas freiam otimismo

Sinergias com a Cobasi podem elevar o lucro da nova empresa em até 25%, porém mercado prefere aguardar execução antes de precificar ganhos.

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  • Ações da Petz (PETZ3) ainda não precificam as sinergias, segundo análise do banco
  • Sinergias da fusão podem chegar a R$ 330 milhões em EBITDA, até 25% do lucro da nova empresa
  • J.P. Morgan mantém recomendação neutra, citando riscos de execução e concorrência digital

A fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi tem potencial relevante de geração de valor, mas ainda enfrenta ceticismo do mercado financeiro. Analistas do JP Morgan revisaram suas projeções e optaram por uma postura mais conservadora, mantendo recomendação neutra para a companhia.

Segundo o banco, embora as sinergias operacionais sejam promissoras, o mercado tende a não antecipar totalmente esses ganhos, aguardando sinais concretos de execução e integração das operações antes de revisar as expectativas.

Sinergias podem representar até 25% do lucro

De acordo com o JP Morgan, os ganhos com a fusão podem variar entre R$ 220 milhões e R$ 330 milhões em EBITDA, o que pode representar até 25% do EBITDA da empresa combinada. Ainda assim, o banco considera improvável que o mercado precifique integralmente esse potencial no curto prazo.

Por isso, os analistas trabalham com um cenário intermediário, projetando cerca de 50% do ponto médio das sinergias, o equivalente a aproximadamente R$ 275 milhões. Esse valor reflete uma abordagem mais cautelosa diante dos desafios do setor.

O banco também avalia que cerca de 80% das sinergias devem ser capturadas em até três anos, com o processo sendo concluído apenas após cinco anos, o que reforça o caráter gradual da criação de valor.

Preço-alvo sobe, mas recomendação segue neutra

Mesmo com a cautela, o preço-alvo da Petz (PETZ3) foi levemente revisado para cima. A nova projeção aponta valor de R$ 5,50 ao fim de 2026, acima dos R$ 5,25 estimados anteriormente para o mesmo período.

O conservadorismo, segundo o relatório, está ligado principalmente aos riscos de execução da fusão e à forte concorrência dos marketplaces digitais, que pressionam margens e dificultam ganhos rápidos de escala.

Em um cenário mais conservador, as sinergias representariam entre 13% e 14% da operação combinada, enquanto, em uma visão mais otimista, poderiam alcançar os 25% projetados inicialmente.

Mercado já precifica operação sem sinergias

As ações da Petz (PETZ3) já refletem parte das expectativas relacionadas à fusão. Com a operação, a empresa passará a deter 52,6% da NewCo, estrutura que concentrará os ativos das duas companhias.

Além disso, o pagamento da Cobasi aos acionistas da Petz tem contribuído para a valorização recente dos papéis. Ainda assim, segundo o JP Morgan, os preços atuais consideram apenas o valor das operações independentes, sem atribuir prêmio relevante às sinergias.

O banco também destacou que as operações da Cobasi ganharam valor após avanços na rentabilidade, o que fortalece a lógica estratégica da fusão no médio e longo prazo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.