Alerta tributário

Grupo Mateus (GMAT3) recebe nova cobrança bilionária da Receita e ações desabam

Segunda autuação em menos de dois anos amplia risco fiscal e acende alerta entre investidores.

Grupo Mateus 4
Grupo Mateus 4
  • Grupo Mateus (GMAT3) recebeu nova autuação da Receita Federal no valor de R$ 1,28 bilhão.
  • Somadas, as cobranças fiscais já superam R$ 2,3 bilhões e elevam o risco para investidores.
  • Analistas veem aumento da volatilidade das ações, apesar de não haver impacto imediato no caixa.

O Grupo Mateus (GMAT3) entrou novamente no radar do mercado após receber uma nova autuação da Receita Federal no valor de R$ 1,28 bilhão. A notícia provocou forte reação dos investidores e levou as ações da companhia a caírem mais de 6% nos primeiros negócios da segunda-feira (29).

Além disso, a nova cobrança surge pouco tempo após outra autuação bilionária aplicada em 2024, aumentando as preocupações sobre os riscos fiscais que cercam a varejista.

Receita amplia pressão sobre a companhia

Segundo a Receita Federal, a discussão envolve o aproveitamento de créditos presumidos de ICMS no cálculo de tributos federais, tema que já havia motivado questionamentos anteriores contra o grupo.

Com a nova cobrança, o valor total das autuações recebidas pelo Grupo Mateus supera R$ 2,3 bilhões.

Por isso, investidores passaram a reavaliar o risco jurídico e tributário da companhia, especialmente diante da possibilidade de novas disputas com o fisco.

Bancos veem impacto negativo para as ações

O JPMorgan classificou o episódio como negativo para a tese de investimento e destacou que a nova autuação equivale a aproximadamente 15% do valor de mercado da empresa.

Além disso, considerando os dois processos em conjunto, o montante discutido alcança cerca de 30% do valor de mercado do Grupo Mateus.

A XP Investimentos e o Bradesco BBI também apontaram aumento das incertezas, destacando que o caso adiciona mais uma camada de risco para os investidores.

Processo pode durar anos

Apesar da repercussão negativa, os analistas ressaltam que a discussão ainda está em fase administrativa e não deve gerar desembolso imediato de caixa.

Além disso, o processo poderá seguir para instâncias judiciais, cenário que costuma prolongar disputas tributárias por vários anos.

Mesmo assim, o mercado tende a manter cautela no curto prazo, já que o aumento do risco fiscal pode continuar pressionando as ações enquanto não houver uma definição mais clara sobre os processos.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.