
- Natura (NATU3) caiu forte após prejuízo e queda nas vendas no 1º trimestre.
- Mercado vê recuperação operacional apenas no segundo semestre.
- Reestruturação e migração de sistema seguem no radar dos investidores.
As ações da Natura (NATU3) lideraram as perdas do Ibovespa após a companhia divulgar um balanço abaixo das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026.
Os papéis chegaram a cair mais de 6% durante a sessão e encerraram o dia com baixa de 5,62%, cotados a R$ 9,91.
Prejuízo dispara e vendas recuam
A companhia reportou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 445 milhões no trimestre.
O resultado veio significativamente pior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a empresa havia reportado perdas de cerca de R$ 152 milhões.
Além disso, a receita líquida caiu 7,7%, para aproximadamente R$ 4,75 bilhões, enquanto o Ebitda recorrente despencou mais de 55% na comparação anual.
Mercado vê “dores do ajuste”
Analistas destacaram que a Natura continua atravessando um período difícil de reestruturação operacional.
Segundo a XP Investimentos, o ambiente macroeconômico segue pressionando o consumo, especialmente no Brasil e na Argentina.
Além disso, o aumento dos investimentos em consultoras, combinado às despesas de reestruturação e à menor alavancagem operacional, acabou pressionando fortemente as margens.
Enquanto isso, a companhia registrou queima de caixa próxima de R$ 430 milhões no trimestre.
Recuperação deve ficar para o 2º semestre
Durante teleconferência, a administração afirmou que o segundo trimestre ainda deve ser de transição.
O CEO João Ferreira alertou que a migração do sistema de gestão empresarial prevista para junho pode gerar turbulências operacionais temporárias.
Ao mesmo tempo, a diretora financeira destacou que os benefícios da recente redução de funcionários devem aparecer gradualmente a partir do segundo trimestre, com impacto mais relevante apenas no segundo semestre.
Mercado segue cauteloso
O Bradesco BBI afirmou que continua vendo baixa visibilidade para os próximos trimestres, principalmente por conta dos riscos de execução ligados à reestruturação.
Mesmo assim, parte do mercado entende que o compromisso de investimento da Advent, ao redor de R$ 9,75 por ação, ajuda a limitar uma pressão ainda maior sobre os papéis no curto prazo.