
- Santander corta preço-alvo da Rumo (RAIL3) para R$ 22 em 2026, mas mantém recomendação de outperform, com upside de 48%
- Queda esperada nas exportações de grãos e na renda dos produtores pressiona volumes e fretes no curto prazo
- Postergar capex do LRV pode destravar até R$ 5 bilhões em caixa, reforçando a tese de valor no médio prazo
A Rumo (RAIL3) teve o preço-alvo de 2026 reduzido de R$ 27 para R$ 22 pelo Santander, refletindo um cenário mais desafiador para o agronegócio em 2026, especialmente em Mato Grosso, principal origem de volumes da companhia.
Mesmo assim, o banco manteve a recomendação de outperform, destacando que o papel negocia a múltiplos atrativos e pode entregar potencial de valorização de 48% frente ao preço atual de R$ 14,83.
Pressão no agro limita desempenho no curto prazo
O Santander avalia que as exportações de grãos de Mato Grosso devem cair 6% em 2025/26, puxadas por menor produtividade de soja e milho após uma base forte no ciclo anterior.
Além disso, a rentabilidade dos produtores rurais tende a encolher, com queda estimada de até 70% no lucro líquido combinado de soja e milho, o que reduz poder de barganha para reajustes de frete e pressiona volumes transportados.
Nesse contexto, o banco reconhece que o papel pode ter dificuldade para reagir no curto prazo, mesmo com a demanda estrutural por logística de grãos permanecendo sólida.
Capex e geração de caixa entram no centro do debate
Um dos principais pontos do relatório é a possibilidade de a Rumo postergar investimentos do projeto LRV, estratégia que poderia preservar caixa em um ambiente de custo de capital elevado.
Segundo o Santander, adiar as próximas fases do LRV poderia gerar até R$ 5 bilhões adicionais de fluxo de caixa livre entre 2027 e 2031, o equivalente a 18% do valor de mercado da companhia.
Em um cenário mais extremo, com cancelamento das fases futuras do projeto, a empresa poderia atingir FCF positivo já em 2028, com yield de 9%, embora com impacto negativo mais à frente no crescimento operacional.
Valuation segue atrativo apesar dos cortes
O banco reduziu suas estimativas de EBITDA para 2026 e 2027 em cerca de 15%, incorporando preços mais conservadores e o cenário mais fraco do agro.
Ainda assim, a ação negocia a cerca de 6 vezes EV/EBITDA em 2026, patamar considerado baixo frente ao potencial de crescimento de longo prazo, com CAGR de EBITDA estimado em 10% em 10 anos.
O Santander reforça que o ciclo de investimentos dos últimos anos deve sustentar ganhos de capacidade e volume entre 2026 e 2028, mesmo com ajustes táticos no capex.