
- Serviços às famílias e profissionais recuaram, refletindo poder de compra mais fraco.
- Setor de serviços cresceu 0,6% em setembro, superando as expectativas do mercado.
- Transporte de cargas e tecnologia lideraram a expansão no mês.
O setor de serviços voltou a surpreender o mercado ao crescer 0,6% em setembro, superando as projeções dos analistas que esperavam alta de 0,4%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo IBGE. Esse é o oitavo mês consecutivo de expansão, o que levou o indicador ao maior nível desde o início da série histórica.
Na comparação com setembro de 2024, o setor registrou avanço de 4,1%, também acima das estimativas do mercado, que projetavam alta de 3,6%. O resultado reforça a resiliência da atividade econômica, impulsionada principalmente pela força do transporte de cargas e pela demanda crescente em segmentos de tecnologia e comunicação.
Transporte e tecnologia lideram expansão
Entre as cinco atividades analisadas pelo IBGE, três registraram crescimento em setembro. O destaque ficou com o segmento de transportes, que avançou 1,2% no mês, puxado pelo transporte rodoviário de cargas.
Segundo o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, a safra agrícola recorde tem ampliado o escoamento e, consequentemente, a receita das empresas do setor.
Os serviços de informação e comunicação também tiveram desempenho robusto, crescendo 1,2%, impulsionados por demandas em tecnologia e conectividade. O grupo classificado como “outros serviços”, que inclui seguros, planos de saúde e previdência, subiu 0,6%, mostrando estabilidade após meses de variações moderadas.
Desse modo, o avanço conjunto desses segmentos manteve o setor de serviços em patamares elevados, consolidando-o como motor do PIB brasileiro em 2025.
Pressão sobre consumo das famílias
Por outro lado, alguns setores ainda mostram fragilidade. Os serviços profissionais e administrativos recuaram 0,6%, enquanto os serviços prestados às famílias caíram 0,5%, impactados pela menor receita de restaurantes e turismo doméstico.
Sendo assim, esses resultados refletem o efeito do poder de compra enfraquecido, que ainda limita o consumo das famílias, mesmo com a inflação sob controle.
Além disso, a desaceleração desses segmentos mais sensíveis ao bolso do consumidor pode conter parte do ímpeto observado nos setores corporativos e logísticos.
Mesmo assim, o saldo geral permanece positivo, indicando que a economia mantém um ritmo de crescimento gradual, porém consistente.
Mercado ajusta expectativas para o PIB
Com o desempenho acima das previsões, o mercado financeiro deve revisar suas projeções para o PIB do terceiro trimestre, incorporando a nova força do setor de serviços.
Nesse sentido, o resultado reforça a leitura de que o país segue em trajetória de expansão moderada, apoiada em infraestrutura, transporte e tecnologia.
Ademais, apesar do cenário favorável, analistas alertam que a recuperação desigual entre os segmentos ainda é um desafio para a consolidação do crescimento sustentado.
Por fim, a próxima leitura do IBGE será crucial para entender se o ritmo atual se manterá no último trimestre do ano.