Estatal em déficit

A beira da falência, Correios pagará R$ 2.500 de "vale-peru" a cada funcionário

Em meio a um déficit financeiro recorde e medidas de contenção de despesas, a estatal anuncia pagamento extra de fim de ano.

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  • Os Correios irão pagar R$ 2.500 para cada um de seus 84.700 funcionários, divididos em duas parcelas, como parte de um acordo coletivo negociado com o sindicato
  • A empresa pagará o benefício em duas parcelas: R$ 1.000 em dezembro (ou setembro, se o funcionário pedir) e R$ 1.500 até o 5º dia útil de janeiro de 2025
  • Sob Lula, os Correios enfrentam um déficit histórico de R$ 2 bilhões em 2024, o maior da história, o que gerou a adoção de um teto de gastos e medidas para evitar insolvência
  • Após ser suspenso em 2020, o pagamento do “vale peru” foi reestabelecido em 2024, com um valor ampliado, apesar da situação financeira delicada da estatal

Os Correios, uma das maiores empresas estatais do Brasil, estão no centro de uma polêmica ao anunciar que irão gastar aproximadamente R$ 200 milhões para pagar um benefício extra de fim de ano para seus 84.700 funcionários.

O valor de R$ 2.500 será destinado a cada um dos empregados. Contudo, dividido em duas parcelas, como parte de um acordo coletivo firmado entre a direção da empresa e o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Sintect).

Apelido carinhoso

O pagamento extra, carinhosamente chamado de “vale peru”, faz referência ao prato tradicionalmente consumido nas festas de Natal.

Segundo o acordo firmado em 2024, a empresa pagará o benefício em duas parcelas. A empresa pagará a primeira parcela de R$ 1.000,00 em dezembro ou antecipará para setembro, caso o empregado escolha essa opção. A segunda parcela, de R$ 1.500,00, chegará até o 5º dia útil de janeiro de 2025.

A empresa fez o anúncio em 10 de dezembro, gerando controvérsias devido ao delicado contexto financeiro.

Este benefício estava suspenso desde 2020, durante a gestão do general Floriano Peixoto, quando um acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia interrompido o pagamento. Na última vez que o “vale peru” foi concedido, em 2019, o valor era de R$ 1.000.

A volta e ampliação do pagamento extra só foram viabilizadas este ano, após negociações entre a nova gestão dos Correios. Contudo, liderada por Fabiano dos Santos Silva, e o Sintect.

Retomada do benefício

A decisão de retomar o benefício ocorre em um momento especialmente difícil para a estatal, que enfrenta uma grave crise financeira.

Até setembro de 2024, os Correios já registraram um déficit de R$ 2 bilhões, o maior da história da empresa. Caso a situação continue no mesmo ritmo, o valor do déficit pode superar o recorde de 2015, quando a empresa registrou uma perda de R$ 2,1 bilhões.

A atual gestão, sob a liderança de Fabiano, tem implementado medidas de contenção de despesas. Assim, incluindo a suspensão de novas contratações e a imposição de um teto de gastos de R$ 21,96 bilhões para o ano de 2024.

Risco de insolvência

Além das dificuldades financeiras, a empresa enfrenta o risco de insolvência. No entanto, o que poderia levar à necessidade de resgatar os Correios com recursos do Tesouro Nacional.

Em um comunicado interno divulgado em outubro, a direção da empresa justificou a imposição de um teto de gastos como uma medida para evitar esse cenário.

“Tais medidas visam, fundamentalmente, a recompor o saldo orçamentário/caixa para a retomada do equilíbrio econômico-financeiro e evitar que a empresa entre em estado de insolvência”, dizia o documento.

Em resposta às críticas, a assessoria de imprensa dos Correios afirmou que “a empresa está cumprindo o Acordo Coletivo de Trabalho vigente”. Assim, como determina a legislação brasileira.

No entanto, a decisão de manter o pagamento do “vale peru” gerou controvérsias. Especialmente quando a empresa atravessa um período de dificuldades financeiras tão graves.

A influência de Lula e do PT nos Correios

Além dos problemas financeiros internos, o contexto político também influencia a gestão da empresa.

O grupo de advogados ligado ao presidente Lula, indicou Fabiano dos Santos Silva para o cargo de presidente dos Correios.

Este, conhecido como Prerrogativas, grupo principalmente ligado a causas de esquerda e que tem uma postura crítica em relação às investigações da Lava Jato.

Essa nomeação, somada aos desafios financeiros da empresa, contribui para a complexidade da situação atual.

Apesar do pagamento do “vale peru”, os Correios enfrentam um cenário desafiador. A estatal ainda busca equilíbrio fiscal, enquanto tenta conciliar a responsabilidade com seus empregados e as exigências financeiras para evitar um colapso. As próximas semanas serão cruciais para determinar se as medidas adotadas serão suficientes para assegurar a sustentabilidade da empresa no longo prazo.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ