Recuperação da varejista

Ações da Casas Bahia (BHIA3) disparam e acumulam alta de 265% em março

Investidores apostam na recuperação da varejista, impulsionando os papéis, somado ao movimento de short squeeze e entrada de novo acionista.

novo logo casas bahia
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  • Explosão dos papéis: Ações da Casas Bahia (BHIA3) subiram 265% em março e acumulam alta de 235% no ano
  • Fatores de impulso: Short squeeze e aquisição de participação relevante pelo investidor Rafael Ferri
  • Resultados financeiros: Prejuízo caiu 54,8% no 4T24, mas alta alavancagem ainda preocupa analistas

As ações da Casas Bahia (BHIA3) registraram uma valorização impressionante nas últimas semanas. Em março, os papéis saltaram 265%, passando de R$ 2,65 para R$ 9,68, e acumulam uma alta de 235% desde o início de 2025.

Na última terça-feira (25), chegaram a superar os R$ 10, encerrando a sessão com um ganho de aproximadamente 18%.

O movimento tem sido impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo um forte short squeeze, gerando uma pressão adicional de compra. Atualmente, cerca de 25% das ações em circulação da Casas Bahia estão alugadas, o que amplificou o impacto desse fenômeno.

Short Squeeze e entrada de investidor

A alta expressiva das ações foi intensificada pela entrada do investidor Rafael Ferri no quadro de acionistas da Casas Bahia.

No início de março, Ferri atingiu uma participação de 5,11% nas ações ordinárias da empresa, fato que serviu como catalisador para o aumento das cotações.

“A entrada de um novo investidor relevante geralmente provoca um aumento expressivo nas ações, pois o mercado interpreta isso como um possível ponto de inflexão para a companhia”, explica Pedro Accorsi, analista da Ticker Research.

O chamado FOMO (“fear of missing out” ou “medo de ficar de fora”) reforçou o movimento de alta, no qual investidores correm para comprar um ativo com forte valorização, ampliando ainda mais os ganhos.

Resultados do 4T24 trazem sinais positivos

No dia 12 de março, a Casas Bahia divulgou seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2024. A companhia reportou um prejuízo de R$ 452 milhões, o que representa uma redução de 54,8% nas perdas em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 7,6%, alcançando R$ 7,98 bilhões.

Apesar da queda de 10% no volume de vendas do e-commerce (GMV 1P), a companhia viu uma recuperação expressiva nas lojas físicas (+16%) e no marketplace (+24%). O grande destaque foi o Ebitda ajustado, que quadruplicou em relação ao quarto trimestre de 2023, atingindo R$ 640 milhões.

Desafios para 2025 e cautela dos analistas

Mesmo com o forte rali das ações, analistas do mercado seguem cautelosos em relação ao futuro da companhia. A Casas Bahia ainda enfrenta desafios significativos, como a alta alavancagem e o ambiente de juros elevados no Brasil.

A empresa tem focado na expansão de sua carteira de crediário, que já soma R$ 6,2 bilhões, e na melhoria das margens operacionais.

O Morgan Stanley, por exemplo, mantém recomendação de “underweight” (exposição abaixo da média) para os papéis BHIA3, destacando que, apesar dos avanços operacionais e do alongamento do prazo da dívida de 22 para 72 meses, a empresa ainda enfrenta pressões financeiras que podem dificultar a retomada sustentável do lucro ao longo de 2025.

A Casas Bahia segue como uma das ações mais voláteis da Bolsa, atraindo tanto investidores otimistas com sua recuperação quanto especuladores atentos às bruscas oscilações do papel.

O próximo trimestre, portanto, será decisivo para mostrar se a varejista conseguirá consolidar sua recuperação e sustentar o atual patamar de valorização no mercado acionário.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ