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Bitcoin desafia pânico global: sobe acima de US$ 83 mil enquanto bolsas derretem por tarifas

Bitcoin surpreende e opera em alta nesta sexta (4), superando US$ 83 mil mesmo com mercados globais em queda por novas tarifas de Trump. Cripto mostra resiliência, recuperando parte das perdas e gerando debate se pode ser um refúgio em tempos de crise.

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Bitcoin 1
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O Bitcoin (BTC) está mostrando uma força surpreendente nesta sexta-feira (4), operando em leve alta mesmo enquanto os mercados financeiros globais enfrentam um dia de perdas significativas. A maior criptomoeda do mundo registrava uma subida de 1% no dia, um contraste notável com o desempenho negativo de importantes índices do mercado de ações, como o S&P 500 e o US100 (índice da Nasdaq), que seguiam no vermelho.

Com essa valorização, o Bitcoin voltou a ser negociado acima da marca de US$ 83.000 no momento do fechamento desta matéria. Esse movimento representa uma recuperação parcial para o ativo digital, que havia sofrido uma queda considerável de mais de 6% anteriormente. A desvalorização inicial foi uma reação direta ao anúncio de um novo pacote tarifário proposto por Donald Trump, uma notícia que abalou a confiança dos investidores em ativos considerados de maior risco em todo o mundo, incluindo o mercado de criptomoedas.

Embora ainda esteja distante do patamar de US$ 88.000 visto antes do impacto das notícias sobre tarifas, a resiliência do Bitcoin chamou a atenção. O ativo digital demonstrou uma capacidade de recuperação mais rápida e robusta em comparação com os dois principais índices do mercado acionário norte-americano, que continuaram a sentir fortemente os efeitos da tensão comercial.

Índices Globais Despencam com Temores de Guerra Comercial

A situação nos mercados tradicionais é delicada. O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas dos EUA, iniciou o dia com uma queda de quase 2%, aproximando-se perigosamente da região dos 5.100 pontos. Esse nível representa o menor patamar alcançado pelo índice desde setembro de 2024, acendendo um alerta entre os investidores.

O cenário é ainda pior para o índice US100, focado em empresas de tecnologia. Ele acumula um recuo expressivo de 12% desde quarta-feira (2). Atualmente, o índice opera nos níveis mais baixos registrados desde agosto do ano passado, refletindo o forte impacto das incertezas sobre o setor de tecnologia.

O principal motor por trás dessa aversão ao risco global é o temor de que as novas tarifas comerciais anunciadas por Trump possam dar início a uma nova e prejudicial guerra econômica entre as maiores potências mundiais. A China já reagiu prontamente, prometendo impor suas próprias taxas sobre produtos americanos como retaliação. No Brasil, o presidente Lula também se manifestou sobre a situação, afirmando que o país tomará “todas as medidas cabíveis” para proteger seus interesses econômicos diante da escalada de tensões.

Diante desse cenário global instável e cheio de incertezas, investidores tradicionalmente buscam ativos considerados mais seguros, como o ouro ou títulos do governo. No entanto, o comportamento recente do Bitcoin levanta questões interessantes. Apesar do impacto negativo inicial das notícias sobre tarifas, o Bitcoin parece ter recuperado o fôlego mais rapidamente que as ações.

Esse movimento pode estar sinalizando uma mudança na percepção de alguns investidores, que começam a enxergar o Bitcoin como uma possível alternativa de reserva de valor ou, no mínimo, um ativo com dinâmica própria, menos correlacionado com os mercados tradicionais em momentos de estresse. Se esse fluxo de capital buscando proteção ou diversificação continuar migrando para o Bitcoin, isso poderia criar uma pressão compradora e impulsionar ainda mais seu preço.

Bitcoin Busca Fundo e Define Próximos Passos Técnicos

Do ponto de vista da análise técnica, que estuda os padrões gráficos e indicadores de preço, o Bitcoin está em um momento crucial. Ele tenta consolidar um novo fundo (um ponto baixo no gráfico) na importante zona de US$ 82.400. Se conseguir se manter acima desse nível, seria o primeiro fundo mais alto formado desde janeiro, um padrão que traders costumam ver como um sinal positivo, indicando uma possível reversão da tendência de baixa recente e abrindo espaço para um novo movimento de alta.

No curto prazo, os indicadores técnicos ainda mostram um cenário misto, sem um consenso claro sobre a direção futura. O Índice de Força Relativa (RSI), que mede a velocidade e a mudança dos movimentos de preços, está subindo e se aproximando da zona neutra dos 50 pontos. Um rompimento acima desse nível seria interpretado como um sinal de fortalecimento da força compradora.

Por outro lado, o indicador MACD (Convergência/Divergência da Média Móvel), que ajuda a identificar mudanças no momentum, segue em cruzamento negativo. O histograma do MACD apresenta barras vermelhas crescentes, o que geralmente indica que a tendência de baixa ainda pode ter força e não foi totalmente revertida.

O movimento futuro do preço do Bitcoin provavelmente será definido pela ação do preço entre dois pontos-chave. Um recuo sustentado abaixo dos US$ 84.000 poderia invalidar a ideia de um fundo mais alto e levar o BTC a testar novamente o importante suporte psicológico de US$ 80.000. Já um rompimento para cima do topo recente, localizado em US$ 87.000, seria um forte sinal de alta, podendo abrir caminho para o ativo buscar a região de US$ 92.000, um alvo potencial baseado em projeções de Fibonacci (uma ferramenta de análise técnica).

Fernando Américo
Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvol
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