
- O governo Lula estuda criar um financiamento específico para entregadores de aplicativos, facilitando a compra de motocicletas
- A proposta surge em resposta às demandas da categoria, que reivindica remuneração mais justa e benefícios
- Ainda em fase de avaliação, a medida pode ser uma alternativa para formalizar e apoiar financeiramente os entregadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou, em jantar com senadores na quarta-feira (3), que o governo federal estuda criar uma linha de financiamento voltada a entregadores de aplicativos.
A proposta, ainda em fase de análise, busca facilitar a compra de motocicletas por esses trabalhadores. Contudo, que vêm pressionando por melhores condições de trabalho e maior remuneração.
A declaração de Lula ocorreu durante um jantar promovido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que contou com a presença de líderes partidários e senadores da base aliada. O anúncio informal surge em meio a um contexto de crescente descontentamento com o governo.
Levantamentos recentes indicam aumento da desaprovação da atual gestão, e os protestos dos entregadores — “Breque dos Apps” — reacenderam o debate sobre a precarização do trabalho por plataformas digitais.
Os atos de mobilização, registrados em quase todos os Estados do país, cobraram reajuste nos valores das corridas e mais segurança no trabalho. Ao sugerir uma medida voltada a essa categoria, Lula tenta demonstrar sensibilidade social e oferecer respostas concretas a uma base trabalhadora que historicamente compõe parte de seu eleitorado.
Senadores cobram comunicação mais eficaz com agro e evangélicos
Durante o encontro, senadores aliados cobraram do presidente uma postura mais estratégica na comunicação com dois segmentos fundamentais para o cenário político nacional: o agronegócio e os evangélicos.
Segundo relatos feitos, parlamentares apontaram falhas na interlocução com esses setores. E, assim, sugeriram ações para resgatar o diálogo e reduzir resistências.
O alerta é respaldado por pesquisas recentes. Um levantamento do PoderData realizado entre 15 e 17 de março mostrou que 7 em cada 10 eleitores evangélicos desaprovam o governo.
No agro, líderes políticos destacaram que há ruídos constantes, especialmente em relação a discursos do governo considerados hostis ao setor produtivo.
Os senadores, no entanto, recomendaram uma mudança de postura pública e investimentos em agendas que evidenciem ações concretas do Executivo em prol dessas comunidades.
Também pediram maior envolvimento do presidente em pautas regionais. Além de medidas que facilitem a execução de projetos estaduais de infraestrutura, ainda travados por entraves burocráticos.
Lula planeja viagens a seis Estados para reforçar entregas
Como resposta às críticas e com o objetivo de reforçar a presença do governo nos Estados, Lula informou que pretende intensificar sua agenda de viagens até maio.
O presidente planeja visitar ao menos seis unidades da federação: Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Minas Gerais e São Paulo. Dessa forma, para inspecionar obras de infraestrutura em andamento. Além de anunciar novas concessões em ferrovias e rodovias.
A movimentação integra a estratégia do Planalto para mostrar resultados concretos da gestão, especialmente nas áreas mais visíveis aos eleitores. A expectativa, portanto, é que essas ações ajudem a consolidar o discurso de retomada do investimento público e articulação federativa.
Além de Lula, o jantar reuniu nomes como Jaques Wagner (PT-BA), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM), entre outros senadores e líderes do Congresso.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também participou da conversa. Assim, reforçando o compromisso do governo com o avanço do diálogo político.
O encontro, portanto, marca um movimento do Planalto para recuperar espaço junto à opinião pública. Além de fortalecer alianças políticas estratégicas em um momento de pressão crescente por resultados e reconexão com setores decisivos do eleitorado.