
- 31 empresas terceirizadas enviaram carta ao presidente da estatal exigindo pagamentos atrasados, ameaçando paralisar serviços na próxima semana
- As empresas alertam que suspenderão o transporte de cargas em todo o país caso os repasses não sejam regularizados até segunda-feira
- As transportadoras denunciam que os repasses estão sendo feitos de forma inconsistente, tornando insustentável a manutenção dos serviços
Na última quinta-feira (20), 31 empresas de transporte terceirizadas pelos Correios enviaram uma carta ao presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, exigindo o pagamento de valores atrasados.
No documento, as transportadoras alertam que, caso os pagamentos não sejam regularizados até segunda-feira (24), os serviços de transporte de cargas serão suspensos em todo o Brasil.
Segundo as empresas, os repasses estão sendo feitos de maneira irregular, tornando “inadmissível a continuidade das execuções dos serviços”.
Impacto nas entregas em todo o Brasil
A possível paralisação pode comprometer a distribuição de mais de 2 milhões de itens por dia, afetando consumidores e empresas que dependem da logística da estatal.
As transportadoras mantiveram as entregas até sexta-feira (21), mas reforçaram que a continuidade dos serviços depende exclusivamente da resolução do problema financeiro.
A carta não especifica quais são as irregularidades nos pagamentos, mas aponta que a situação se agravou nos últimos meses.
Correios acumulam prejuízos
A crise financeira dos Correios vem se aprofundando sob a liderança de Fabiano Silva dos Santos. Em 2024, a estatal registrou um rombo superior a R$ 3 bilhões, o maior da sua história. Em janeiro deste ano, o prejuízo foi de R$ 424 milhões, o maior já registrado para o período.
O senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) protocolou, em 19 de fevereiro, um pedido para instalar uma CPI e investigar as perdas da estatal. O requerimento conta com 32 assinaturas e aguarda a análise do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Correios dizem que já retomaram pagamentos
Os Correios afirmam que já efetuaram os pagamentos e que finalizarão a compensação até o começo da próxima semana. A estatal, portanto, nega qualquer impacto nas entregas e garante a normalidade dos serviços.
No entanto, transportadoras ouvidas pela reportagem alegam que ainda não receberam os valores devidos e mantêm a ameaça de paralisação caso a regularização não ocorra dentro do prazo estipulado.
Crise pode se agravar
A tensão entre os Correios e as empresas terceirizadas aumenta a incerteza sobre a continuidade dos serviços de entrega. Caso a paralisação se concretize, a população e o setor empresarial poderão, portanto, enfrentar atrasos significativos na distribuição de correspondências e encomendas.
A próxima segunda-feira (24) será decisiva para definir os rumos da crise que atinge a maior empresa de logística do Brasil.