Comércio Digital

Chegou tarde? Correios lançam marketplace para concorrer com Shopee e Shein

Correios lançam marketplace digital para competir com plataformas como Shein e Shopee. Projeto mira PMEs, foca em produtos nacionais e usa rede logística própria.

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  • Estatal aposta na sua infraestrutura para oferecer alternativa nacional às plataformas estrangeiras.
  • Plataforma terá adesão facilitada, taxas reduzidas e suporte técnico para PMEs de todo o Brasil.
  • Correios buscam atrair consumidores conscientes e impulsionar a produção e o consumo local.

Os Correios anunciaram nesta quarta-feira (2) o lançamento de um novo marketplace digital, com o objetivo de competir diretamente com plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress. A estatal aposta na capilaridade da sua rede logística e na confiança da marca para atrair vendedores nacionais e consumidores que buscam alternativas às gigantes do comércio eletrônico.

Segundo o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, o novo canal estará totalmente integrado à infraestrutura já existente dos Correios. A estratégia mira o fortalecimento do e-commerce brasileiro, oferecendo uma plataforma acessível, com taxas competitivas e foco em produtos de origem nacional. O lançamento marca uma nova fase da empresa pública, que busca ampliar sua presença no ambiente digital.

Plataforma mira PMEs e produtos nacionais

A nova ferramenta funcionará como um canal de vendas voltado principalmente para pequenos e médios empreendedores. A proposta é conectar comerciantes locais a consumidores de todo o país, utilizando a rede de distribuição dos Correios para garantir entregas rápidas e com cobertura nacional.

De acordo com a estatal, o marketplace começará a operar ainda neste primeiro semestre, com um sistema de adesão simplificado e suporte técnico para os vendedores. Além disso, a plataforma integrará métodos de pagamento variados e opções logísticas personalizadas, aproveitando os centros de distribuição já consolidados da empresa.

Para os Correios, o foco inicial está em produtos nacionais, como roupas, acessórios, artesanato e itens de papelaria. No entanto, a estatal não descarta a inclusão de mercadorias importadas no futuro, desde que passem por processos regulamentados e sejam devidamente tributadas.

Objetivo é competir com plataformas estrangeiras

O anúncio ocorre em meio à crescente pressão sobre empresas internacionais que atuam no varejo digital brasileiro. Com a implementação da “taxa da blusinha” — aumento do ICMS sobre produtos de até US$ 50 —, plataformas como Shein e Shopee enfrentam críticas sobre tributação desigual e concorrência desleal.

Os Correios buscam se posicionar como uma alternativa mais transparente e alinhada com o ecossistema econômico nacional. Portanto, ao apostar em parcerias com empreendedores locais e fortalecer a produção interna, a estatal pretende capturar parte do público que deseja consumir de forma mais consciente.

O presidente da empresa destacou que o marketplace foi pensado para ser competitivo. Segundo ele, os vendedores terão acesso a tarifas de entrega reduzidas, isenção de mensalidades nos primeiros meses e destaque nos canais institucionais dos Correios. A estratégia inclui ainda campanhas de divulgação em redes sociais e em veículos tradicionais, com foco na promoção do “compre do Brasil”.

Repercussão divide especialistas e mercado

O mercado reagiu com cautela ao anúncio. Especialistas em e-commerce avaliam que o projeto pode se beneficiar da confiança que os Correios ainda possuem entre consumidores brasileiros. Além disso, a integração com a malha logística da estatal oferece uma vantagem relevante, especialmente para regiões menos atendidas pelas grandes plataformas privadas.

Por outro lado, há dúvidas sobre a capacidade da empresa em desenvolver um ambiente digital competitivo em termos de usabilidade, tecnologia e atendimento ao cliente. A experiência de marketplaces exige constante atualização e investimento em inovação — pontos que historicamente representaram desafios para a estatal.

Mesmo assim, analistas veem com bons olhos a movimentação estratégica. Para eles, a entrada dos Correios no setor de comércio eletrônico pode estimular a concorrência e incentivar práticas mais justas entre plataformas estrangeiras e nacionais.

Correios sinalizam nova fase institucional

O marketplace faz parte de um pacote mais amplo de modernização dos Correios. A estatal já havia anunciado, no início do ano, a digitalização de seus serviços postais e o fortalecimento de parcerias com startups de logística. A meta é reduzir a dependência das postagens tradicionais e diversificar as fontes de receita da empresa pública.

Além disso, a iniciativa alinha-se ao plano do governo federal de fortalecer estatais estratégicas e ampliar a presença digital de instituições públicas. O Ministério das Comunicações acompanha o projeto de perto e deve apoiar a divulgação do marketplace em campanhas oficiais.

Caso o projeto tenha adesão significativa, os Correios planejam expandir a plataforma para outros países da América Latina, utilizando o mesmo modelo logístico adotado no Brasil. Segundo fontes do governo, há conversas iniciais com serviços postais de países vizinhos para a criação de uma rede regional de marketplaces estatais.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.