Guerra Comercial

China impõe tarifas de 34% aos EUA em resposta às políticas de Trump

China impõe tarifas de 34% sobre todos os produtos dos EUA em retaliação a Trump. Pequim reage às medidas unilaterais com novo pacote tarifário e acirra tensão comercial global

Crédito: Depositphotos
Crédito: Depositphotos
  • A medida representa uma retaliação direta às sanções aplicadas por Trump em março.
  • Ações de empresas agrícolas, tecnológicas e industriais recuam após anúncio da nova tarifa.
  • A guerra comercial abre oportunidades, mas também impõe riscos cambiais e inflacionários.

A China anunciou nesta sexta-feira (4) que aplicará uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos Estados Unidos. A medida entra em vigor em 10 de abril e representa uma retaliação direta às sanções econômicas impostas anteriormente pelo presidente Donald Trump.

A decisão intensifica a disputa entre as duas maiores economias do mundo e pode afetar mercados globais, preços e cadeias produtivas. Especialistas alertam para os riscos de inflação internacional e de uma desaceleração do comércio mundial.

Pequim responde a sanções americanas

O Ministério do Comércio da China divulgou a nova tarifa como resposta às ações recentes dos EUA. Trump elevou as taxas sobre bens chineses para até 20%, alegando o combate ao tráfico de fentanil como justificativa. Em contrapartida, Pequim decidiu endurecer sua política comercial com a imposição de uma alíquota única de 34% para todas as importações de origem norte-americana.

As autoridades chinesas afirmaram que a decisão visa proteger os interesses nacionais e restaurar o equilíbrio nas relações comerciais. Além disso, o governo chinês acusou os Estados Unidos de violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o comunicado oficial, Washington estaria agindo com “intimidação econômica” e desprezo pelo multilateralismo.

Portanto, o novo pacote tarifário sinaliza uma mudança de postura da China. Em vez de respostas pontuais, o país optou por uma sanção ampla e abrangente, com potencial para impactar setores estratégicos da economia americana.

Reação dos mercados e impacto nos EUA

Logo após o anúncio da medida chinesa, os principais índices futuros dos EUA registraram queda. A Nasdaq, por exemplo, caiu 1,3% nas negociações pré-abertura. Além disso, ações de empresas exportadoras e do setor agrícola recuaram com força, diante da expectativa de redução na demanda chinesa.

Economistas afirmam que a nova rodada de tarifas pode pressionar os preços nos Estados Unidos. Produtos como soja, chips eletrônicos, carnes e maquinários industriais compõem boa parte das exportações para a China. Com a imposição da tarifa, esses itens tendem a perder competitividade, o que pode forçar ajustes internos nas cadeias produtivas americanas.

Adicionalmente, a elevação nos preços de insumos e a quebra de contratos comerciais devem influenciar a inflação e o crescimento econômico dos EUA. Segundo analistas do JP Morgan, o impacto pode reduzir o PIB americano em até 0,3% em 2025, caso a medida permaneça por mais de três meses.

Oportunidades e riscos para o Brasil

Enquanto China e EUA endurecem o confronto, o Brasil pode encontrar brechas comerciais para ampliar suas exportações. Setores como o agronegócio, a mineração e a tecnologia agrícola surgem como potenciais beneficiários. A substituição de fornecedores americanos por brasileiros poderia gerar ganhos bilionários em curto prazo.

No entanto, o Brasil também precisa agir com cautela. A escalada da guerra comercial gera instabilidade nos mercados e pressiona o dólar. Além disso, a dependência do país em relação às exportações de commodities o torna vulnerável a choques externos.

Portanto, o governo brasileiro deve acompanhar de perto os desdobramentos e buscar proteger sua economia com políticas de diversificação de mercados e estímulos à indústria local.

Disputa amplia incertezas na economia global

A nova medida da China marca um novo capítulo na guerra comercial sino-americana. Desde 2018, os dois países travam uma disputa por tarifas, influência econômica e controle de cadeias produtivas.

Com o retorno de Donald Trump à presidência, as tensões aumentaram de forma acelerada nos primeiros meses de 2025.

Além disso, as tarifas se somam a outros pontos de atrito, como a regulação de empresas de tecnologia, o controle de semicondutores e as questões de segurança nacional.

Assim, os mercados devem enfrentar semanas de instabilidade até que haja sinais de negociação ou distensão entre os governos.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.
Sair da versão mobile