
Há um ano, o Itaú BBA colocou um ‘buy’ no Grupo SBF, prevendo que a varejista de esportes viveria um momento positivo, impulsionado pela Copa do Mundo. No entanto, o cenário não se concretizou como esperado. A Centauro e a Nike Brasil, ambas pertencentes ao Grupo SBF, apresentaram um crescimento abaixo do esperado no segundo semestre do ano passado, e suas margens foram pressionadas pelo aumento nos investimentos, feitos na expectativa de vendas mais fortes que não se materializaram.
Apesar disso, o Itaú BBA acredita que a ação do Grupo SBF está num bom ponto de entrada e que a companhia começará a ganhar momentum. O banco manteve sua recomendação de compra e elevou o preço-alvo da ação para R$ 22, representando um potencial de valorização de 71% – um dos maiores da cobertura de varejo do banco.
O analista do Itaú, Thiago Macruz, acredita que o pior já passou e que podemos esperar uma perspectiva mais positiva para a ação, que está sendo negociada com um desconto significativo em relação aos seus múltiplos históricos. O Grupo SBF está sendo negociado a 14 vezes o lucro estimado para este ano e a 9 vezes o do próximo ano, um desconto de 57% em relação à média histórica.
No primeiro trimestre, o Grupo SBF focou em rentabilidade e teve poucas promoções, o que fez a margem bruta subir 3,8 pontos. No entanto, isso veio a um custo. As vendas digitais da Centauro caíram 30% e o nível do estoque subiu 16% na comparação trimestral e 72% na anual, contribuindo para uma queima de caixa operacional de R$ 286 milhões.
Para o segundo trimestre, o analista continua esperando tendências fracas. No entanto, a partir do terceiro trimestre, as coisas devem começar a melhorar. A base de comparação fraca deve impulsionar a performance da ação e a empresa está exposta a algumas oportunidades de crescimento, especialmente na marca Centauro e na Fisia, a operação da Nike Brasil.
O Itaú cita três fontes de upside para a marca Centauro: a melhora do sortimento das lojas, a melhoria do layout das lojas e a otimização da força de vendas das lojas, melhorando a eficiência.
“Acreditamos que a companhia vai surfar um ponto de inflexão no segundo semestre, e o múltiplo de 9x lucro faz essa história ter uma das melhores assimetrias de risco-retorno do varejo hoje”, escreveu o analista. “Vemos o preço atual como um bom ponto de entrada para investidores buscando aumentar sua exposição a histórias de crescimento. Nesse preço, damos um voto de confiança para a execução do management nos próximos 12 meses.”