- Lucro e reestruturação: CVC fecha 2024 com R$ 53,8 milhões de lucro
- Expansão e inovação: empresa aposta em lojas físicas e produtos exclusivos
- Ação valoriza: papel sobe 14% na expectativa do balanço
A CVC surpreendeu o mercado ao divulgar um resultado financeiro acima das expectativas, consolidando a reestruturação iniciada em 2023 e marcando o fim do processo de retomada.
O lucro líquido ajustado no quarto trimestre de 2024 alcançou R$ 8,5 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 15,4 milhões no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 53,8 milhões — o melhor resultado desde 2018.
O desempenho superou as projeções do mercado, que esperava um prejuízo de R$ 20 milhões para o trimestre. Com a expectativa positiva, as ações da companhia registraram uma valorização de 14% na semana.
EBITDA e receita crescem
O EBITDA ajustado da CVC teve um crescimento de 25,1%, totalizando R$ 108,1 milhões. O EBITDA sem ajustes alcançou R$ 82,6 milhões, uma alta de 52% na comparação anual.
A receita líquida no trimestre foi de R$ 366 milhões, um crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a projeção do mercado de R$ 354 milhões.
Em 2024, a companhia faturou R$ 1,3 bilhão, um aumento de 3,8% em relação ao ano anterior. Segundo o CEO Fábio Godinho, esses números refletem a eficácia da estratégia de reestruturação iniciada em 2023.
“Podemos dizer que o turnaround acabou, e em 2025 começamos um ciclo de crescimento e inovação que vai até 2027,” disse Fábio Godinho.
Retorno aos fundamentos e expansão
A empresa adotou uma estratégia de “back to basics“, dessa forma, resgatando modelos de negócio bem-sucedidos do passado, como pacotes exclusivos com redes hoteleiras e companhias aéreas.
Quando Godinho assumiu, os produtos exclusivos representavam uma fatia insignificante da receita. Agora, eles já correspondem a 23,3% do faturamento.
A expansão física também foi retomada. Em 2024, a CVC inaugurou 301 novas lojas e fechou 28, encerrando o ano com 1.492 unidades no Brasil e na Argentina. Grande parte dessas lojas foram abertas em cidades do interior, onde a empresa enxerga grande potencial de crescimento.
Aposta no modelo “Figital”
O modelo de vendas “figital” — combinação de interação digital e atendimento presencial — foi um dos grandes motores do crescimento. A participação das vendas por esse formato saltou de 11% em 2023 para 39% no ano passado.
A estratégia, no entanto, funciona da seguinte forma: um cliente que pesquisa pacotes online recebe a opção de conversar com um atendente. A CVC realiza apenas 10% das vendas de forma totalmente digital, o que mostra a importância do atendimento personalizado.
“Hoje somente 10% das nossas vendas são feitas puramente no online. Quando a pessoa vai viajar de férias, ela quer ter mais informações sobre o destino e essa assistência é o nosso diferencial,” completa o CEO.
Perspectivas para 2025
A empresa projeta, portanto, um crescimento ainda mais acelerado em 2025, impulsionado pela expansão das lojas e pelo fortalecimento do B2C. Enquanto as vendas diretas cresceram 11% em 2024, o B2B e a operação argentina registraram quedas de 3% e 32%, respectivamente.
Segundo Godinho, a empresa revisou sua carteira de clientes B2B, priorizando contratos mais rentáveis. Já a Argentina sofreu com a instabilidade macroeconômica, mas já apresenta sinais de recuperação.
“Tem muita agência de viagem querendo virar CVC. Eles olham o modelo figital, produto exclusivo, a tecnologia… e não têm acesso a isso sozinhos,” disse.
Apesar da valorização de 55% no acumulado do ano, as ações da CVC ainda registram uma queda de 28% nos últimos 12 meses. Atualmente, a empresa está avaliada em R$ 1,2 bilhão na B3. Com o fim da fase de reestruturação, a companhia, no entanto, mira um novo ciclo de crescimento e inovação até 2027.