- MPF denuncia 13 ex-executivos da Americanas por fraude contábil de R$ 25 bilhões entre 2016 e 2022
- Fraude supervalorizou ações e culminou no pedido de recuperação judicial da empresa
- Caso está na Justiça Federal do RJ, que analisa as manipulações nos balanços da companhia
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos do Grupo Americanas por fraudes contábeis que somam aproximadamente R$ 25 bilhões. A investigação revelou que a manipulação dos balanços financeiros ocorreu entre 2016 e 2022 e resultou na supervalorização das ações da companhia.
O caso, que levou a empresa a pedir recuperação judicial, está sob análise da Justiça Federal do Rio de Janeiro.
Esquema de fraude contábil e seus envolvidos
De acordo com o MPF, o ex-CEO Miguel Gutierrez liderava um esquema de manipulação contábil que envolvia outros 12 ex-executivos, incluindo Anna Saicali (ex-CEO da B2W), Timotheo Barros e Márcio Cruz (ex-vice-presidentes), além de ex-diretores e executivos como Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira.
A investigação da Polícia Federal indicou que o esquema funcionava por meio do registro de operações de crédito como faturamento, distorcendo os resultados financeiros da companhia.
Isso permitia a valorização artificial das ações do Grupo Americanas, Lojas Americanas e B2W, impactando negativamente credores e acionistas.
Provas e colaboração premiada
Entre as provas apresentadas pelo MPF estão e-mails, mensagens de WhatsApp e documentos que demonstram a discrepância entre a contabilidade real e os balanços manipulados.
Conversas entre os envolvidos revelaram tentativas de ocultar as fraudes das auditorias. Além disso, três ex-executivos firmaram acordos de colaboração premiada e forneceram detalhes sobre o esquema.
O rombo contábil veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a nova gestão da Americanas divulgou “inconsistências nos lançamentos contábeis”. Poucos dias depois, o então CEO Sergio Rial deixou o cargo menos de dez dias após assumir. Como resultado, as ações da empresa despencaram, causando uma perda de mais de R$ 70 bilhões em valor de mercado.
Recuperação judicial e impacto no mercado
Com dificuldades financeiras, a Americanas entrou com pedido de recuperação judicial, aprovado em fevereiro de 2024. O plano homologado reconhece dívidas superiores a R$ 50 bilhões, abrangendo mais de 9 mil credores.
Entre os maiores credores estão os bancos Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander, que juntos detêm cerca de 35% da dívida. Além disso, a empresa enfrenta uma dívida trabalhista superior a R$ 89 milhões.
Para evitar a falência, os principais acionistas da Americanas — Jorge Paulo Lehmann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles — se comprometeram a injetar R$ 12 bilhões na companhia. Os bancos credores também aportarão outros R$ 12 bilhões para manter as operações em funcionamento.
A defesa de Timotheo Barros afirmou que vai examinar a acusação e argumentou que há “ausência de imparcialidade no exame dos fatos”. As defesas dos outros acusados ainda não se manifestaram sobre a denúncia.
O caso segue, no entanto, na Justiça Federal do Rio de Janeiro e pode resultar em penalidades severas para os denunciados, reforçando o impacto da crise na história do Grupo Americanas.