
- Acordo milionário: Novo Nordisk desembolsa até US$ 2 bi por tratamento experimental contra obesidade
- Queda nas ações: Ceticismo dos investidores derrubou ações da dinamarquesa em 3,1%
- Guerra farmacêutica: Eli Lilly e biossimilares chineses acirram competição no setor
A Novo Nordisk firmou um acordo de até US$ 2 bilhões com a chinesa United Laboratories International para adquirir um medicamento experimental contra obesidade e diabetes.
A farmacêutica dinamarquesa pagará US$ 200 milhões adiantados, com até US$ 1,8 bilhão adicionais, caso o composto alcance metas de desenvolvimento e vendas.
O tratamento combina três mecanismos inovadores, ampliando as opções terapêuticas da Novo em um mercado onde enfrenta concorrência acirrada da Eli Lilly.
Pressão no portfólio e reação do mercado
O movimento ocorre em meio a dúvidas dos investidores sobre a capacidade da Novo Nordisk de manter sua liderança com tratamentos de próxima geração. Na segunda-feira (24), a empresa perdeu o posto de mais valiosa da Europa para a SAP, e suas ações caíram 3,1% em Copenhague.
A United Laboratories, por sua vez, destacou que o acordo é um marco para sua expansão global, mantendo os direitos do medicamento na China.
Estratégia global e concorrência
A United Laboratories, tradicionalmente focada em ingredientes farmacêuticos, surpreendeu ao fechar um contrato dessa magnitude com uma gigante europeia.
A empresa também desenvolve biossimilares do semaglutida (princípio ativo do Ozempic) e do litaglutida (Victoza), medicamentos líderes da Novo Nordisk. O acordo reforça a corrida por tratamentos mais eficazes contra obesidade, onde a Eli Lilly lidera com o retatrutida, considerado o mais promissor em testes finais.
Próximos passos
A obesidade é um mercado em explosão: projeções indicam que pode movimentar US$ 100 bilhões até 2030. A Novo Nordisk, dona do Ozempic e Wegovy, busca diversificar seu portfólio para não depender apenas de uma linha de produtos.
Enquanto isso, a United Laboratories ganha protagonismo no cenário global, equilibrando produção de genéricos com inovação.
O medicamento adquirido pela Novo Nordisk ainda precisa passar por testes clínicos e aprovações regulatórias. Se aprovado, poderá chegar ao mercado em 2027-2028, disputando espaço com os rivais da Eli Lilly e os próprios biossimilares da United.