Memecoins de Trump

Feitiço contra feiticeiro: cripto $TRUMP despenca 16% após tarifas do próprio Trump

As novas tarifas de Donald Trump derrubaram sua própria memecoin, a $TRUMP, em 16%. A moeda atingiu seu menor valor desde janeiro, mostrando que nem o token "oficial" do presidente escapou do impacto negativo que abalou o mercado cripto global.

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donald trumpeuacasa branca em washington1705200344
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Às vezes, o mundo das finanças e da política nos reserva ironias dignas de roteiro. A mais recente veio diretamente das consequências das ações da Casa Branca. As novas tarifas comerciais decretadas pelo presidente Donald Trump no chamado “Dia da Liberdade” não só abalaram o mercado global de criptomoedas, como vimos acontecer com o Bitcoin e outros ativos, mas também atingiram em cheio um alvo particularmente simbólico: a memecoin que leva o seu próprio nome, a $TRUMP.

Parece que o feitiço virou contra o feiticeiro. O token $TRUMP sofreu uma queda abrupta de cerca de 16% em menos de 24 horas após o anúncio das medidas protecionistas que visavam, em tese, fortalecer a economia americana. Com isso, a moeda digital associada ao presidente atingiu seu menor valor desde que foi lançada, lá em janeiro deste ano, mostrando a volatilidade extrema desse tipo de ativo.

Nesta sexta-feira (04), o ritmo da queda deu uma leve desacelerada, mas o estrago já estava feito. O recuo acumulado do $TRUMP era de aproximadamente 12% em relação ao valor que tinha antes do anúncio das tarifas. Por volta das 14h30, o token estava sendo negociado na faixa dos US$ 9,33, segundo dados da plataforma CoinMarketCap. Mesmo com essa pequena tentativa de recuperação do fôlego, a moeda está a anos-luz de distância do seu pico histórico. É difícil até de acreditar, mas logo após seu lançamento, em meio à euforia especulativa, o $TRUMP chegou a ultrapassar a marca dos US$ 70.

A queda da $TRUMP não foi um evento isolado, claro, mas sim um sintoma da turbulência que as tarifas de Trump injetaram nos mercados de risco globais. Como noticiado anteriormente, até mesmo o gigante Bitcoin (BTC) sentiu o golpe inicialmente, embora tenha demonstrado uma resiliência notável posteriormente, conseguindo se manter acima dos US$ 83.000 enquanto as bolsas tradicionais derretiam. No entanto, o impacto geral no setor cripto foi severo. Somente na quinta-feira (03), o mercado como um todo enfrentou uma liquidação global estimada em US$ 260 milhões, com muitos investidores desfazendo posições em ativos mais voláteis diante das incertezas.

Para Beto Fernandes, analista da Foxbit, o mercado de criptomoedas ainda está “cambaleando” após o “tarifaço” de Trump, mesmo que as medidas, na visão de alguns especialistas, pudessem ter sido ainda mais agressivas em seu alcance inicial. O estrago na confiança, porém, foi feito.

“O nível de incerteza que as taxas elevadas trazem à economia é muito alto para que os investidores fiquem confortáveis em fazer movimentações mais arriscadas”, comenta Fernandes, explicando a lógica por trás da fuga de capital de ativos como as memecoins e até mesmo de criptos mais estabelecidas num primeiro momento.

Ainda assim, o analista faz a ressalva importante sobre a performance do principal ativo digital. Ele destaca que o Bitcoin (BTC) tem conseguido se sustentar relativamente bem nos patamares atuais, especialmente se o compararmos com o tombo sofrido por índices importantes do mercado de ações, como o S&P 500, que chegou a recuar mais de 4% apenas no pregão de ontem. Fernandes também aponta um fator técnico que pode ajudar o mercado cripto a se ajustar mais rapidamente: o funcionamento ininterrupto das criptomoedas (24 horas por dia, 7 dias por semana). Isso permite que o mercado reaja com mais agilidade aos eventos globais, absorvendo o choque inicial e reorganizando sua dinâmica de preços de forma mais veloz do que os mercados tradicionais, que possuem horário de abertura e fechamento.

Voltando à $TRUMP, é crucial lembrar que a memecoin associada ao presidente já possui um histórico bastante conturbado, marcado por picos de euforia e quedas vertiginosas. Lançada em janeiro, poucos dias antes da data que marcaria a posse presidencial (20 de janeiro), a moeda viveu uma euforia inicial explosiva, chegando a ostentar uma capitalização de mercado (valor total de todas as moedas em circulação) especulativa que ultrapassou os US$ 15 bilhões. Mas a festa, como costuma acontecer com muitas memecoins, durou pouco.

Ainda nos seus primeiros dias de existência, o valor da $TRUMP despencou mais de 64%. O gatilho para essa queda massiva na época? O lançamento de uma outra moeda meme pela então primeira-dama, Melania Trump. Como se não bastasse a “concorrência” familiar, essa moeda de Melania foi posteriormente associada, por investigações de mercado, aos emissores do controverso token $LIBRA (ligado ao Facebook/Meta), adicionando uma camada extra de polêmica e desconfiança ao redor desses projetos.

Portanto, a implementação das tarifas de importação pelos EUA foi apenas o golpe mais recente na montanha-russa que é o token $TRUMP. A situação reflete não apenas a sensibilidade de todo o mercado cripto a eventos macroeconômicos, mas também a volatilidade extrema e imprevisível das memecoins, especialmente aquelas diretamente atreladas a figuras políticas polarizadoras. Neste caso, a ironia foi que a política econômica do próprio “homenageado” acabou por derrubar o valor do seu token não-oficial.

Fernando Américo
Fernando Américo
Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvol