Crítica da Oposição

"Governo Lula já deu o que tinha que dar", diz Ciro Nogueira

Ciro Nogueira diz que governo Lula ‘deu o que tinha que dar’ em fala a investidores. Senador do PP critica capacidade de diálogo do governo e prevê avanço da direita nas eleições de 2026.

"Governo Lula já deu o que tinha que dar", diz Ciro Nogueira
  • O senador acusou o Planalto de perder a capacidade de diálogo e de repetir fórmulas esgotadas.
  • Tarcísio de Freitas foi citado como nome forte, com apoio do ex-presidente e união da oposição.
  • Nogueira declarou que o Legislativo impedirá avanços sem diálogo e sinalizou maior polarização institucional.

Durante um encontro com investidores no auditório do BTG Pactual, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “deu o que tinha que dar”. A fala ocorreu na quinta-feira (3) e integra uma agenda de articulação política junto ao setor financeiro.

Segundo Nogueira, Lula perdeu a capacidade de diálogo com sua base e não apresenta mais soluções viáveis para os desafios econômicos e institucionais do país. Além disso, ele afirmou que a direita está organizada e pronta para retomar o poder em 2026.

Críticas ao Planalto dominaram o discurso

Ciro Nogueira iniciou sua fala traçando um paralelo entre o atual cenário político e os últimos anos da gestão Dilma Rousseff. Ele disse que, embora não enxergue clima para impeachment, o Congresso atuará como barreira contra medidas que classifica como “retrógradas” ou “irresponsáveis”.

Além disso, o senador criticou a ausência de diálogo entre o Executivo e os parlamentares. De acordo com ele, Lula perdeu conexão com a base que o elegeu, especialmente nos setores produtivos e entre investidores. Ele também afirmou que o Planalto se limita a repetir “slogans reciclados” enquanto ignora sinais claros de deterioração econômica.

Portanto, na visão de Nogueira, o governo atual não consegue mais oferecer respostas eficientes. Ele sugeriu que as soluções propostas até agora, baseadas em aumento de gastos e expansão fiscal, agravam a desconfiança no mercado.

Direita se prepara para 2026 com apoio de Bolsonaro

Em outro trecho de sua fala, Ciro Nogueira garantiu que a direita brasileira já articula uma frente unificada para as eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, o grupo conta com Jair Bolsonaro como liderança central, mesmo que o ex-presidente não dispute diretamente o pleito.

Nogueira mencionou o nome de Tarcísio de Freitas como principal aposta do campo conservador. Para o senador, se o governador de São Paulo decidir concorrer com o apoio de Bolsonaro, a vitória será “praticamente certa”. Ele disse que “a definição caberá exclusivamente ao Bolsonaro”, mas garantiu que há alinhamento em torno de um nome competitivo.

Além disso, ele afirmou que o grupo de oposição se articula dentro do Congresso e já influencia votações estratégicas. Segundo ele, a base governista não consegue mais aprovar reformas estruturantes sem concessões pesadas. Portanto, o cenário de fragmentação favorece a oposição, que se apresenta como alternativa sólida e organizada.

Reação do mercado e bastidores do encontro

O evento, promovido pela Legend Investimentos, reuniu executivos do setor financeiro, analistas políticos e representantes de fundos. Fontes que acompanharam a reunião relataram uma recepção positiva às declarações de Ciro. Investidores demonstraram interesse na leitura política do senador, especialmente sobre as perspectivas para 2026.

Contudo, algumas lideranças empresariais destacaram que críticas ao governo são comuns nesse tipo de evento, mas esperam propostas mais detalhadas por parte da oposição. Além disso, o mercado financeiro segue atento à condução econômica do governo Lula, que enfrenta pressão por responsabilidade fiscal e aprovação de medidas no Congresso.

Mesmo assim, a fala de Ciro Nogueira reforçou a percepção de que o ambiente político caminha para maior polarização. A disputa entre o “lulismo” e o “bolsonarismo” continua viva, e o espaço para nomes de centro segue estreito.

Congresso como freio institucional

Ao longo de sua exposição, Nogueira repetiu que o Congresso Nacional exercerá um papel de contenção nos próximos meses. Ele argumentou que, mesmo sem maioria absoluta, o Legislativo pode travar projetos e condicionar avanços ao diálogo com outras forças políticas.

Por fim, ele concluiu afirmando que o país precisa de uma nova agenda econômica. Para isso, segundo ele, é necessário abandonar discursos populistas e retomar o compromisso com reformas liberais e responsabilidade fiscal.

Portanto, a fala do senador sinaliza um reposicionamento da oposição com foco no eleitorado liberal e conservador.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.