
- Prejuízo de R$ 646,6 mil aos cofres públicos: Valor corresponde ao potencial sobrepreço identificado na compra dos materiais educacionais pela prefeitura
- MP de Contas alerta para irregularidade: Discrepância nos valores unitários levanta suspeitas sobre os critérios de licitação e aquisição dos kits
- Prefeitura nega o erro: A prefeitura de Recife negou a existência de superfaturamento e afirmou que a auditoria cometeu um erro ao calcular o número de beneficiados
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) identificou um possível superfaturamento de R$ 646,6 mil na compra de kits educacionais para professores da rede municipal de ensino de Recife.
Segundo análise do Ministério Público de Contas, a prefeitura pagou R$ 310,94 por cada kit para professores, enquanto os materiais destinados aos alunos custaram R$ 58 por unidade. O valor representa uma diferença de mais de cinco vezes entre os dois conjuntos.
O relatório do TCE-PE destacou que o sobrepreço por kit de professor seria de R$ 194,94, resultando no montante total de R$ 646.615,98 em prejuízo aos cofres públicos. A compra teria sido destinada a 3.317 professores da rede municipal.
Prefeitura nega irregularidades
A prefeitura de Recife negou a existência de superfaturamento e afirmou que a auditoria cometeu um erro ao calcular o número de beneficiados. A prefeitura esclareceu que os kits atenderam 300 escolas da rede municipal, não apenas 300 professores.
Além disso, a prefeitura argumentou que os kits para docentes são diferentes dos kits dos alunos, o que justificaria a discrepância de preços.
Apesar dessa defesa, o Ministério Público de Contas manteve a recomendação de responsabilização de diversos gestores envolvidos na contratação, incluindo o então secretário municipal de Educação, Fred Amâncio, que se demitiu recentemente em meio a outra denúncia de irregularidades na contratação de creches.
Ministério Público pede investigação criminal
O Ministério Público de Contas pediu investigação criminal por suspeita de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública.
Inicialmente, técnicos do TCE-PE apontaram um superfaturamento de R$ 3,3 milhões, alegando que cada kit para professor teria custado R$ 3.438, enquanto o material dos alunos saiu por R$ 58. As defesas contestaram os valores e revisaram os cálculos, fazendo o prejuízo cair para R$ 646 mil.
O órgão também identificou que as licenças digitais adquiridas para os professores estavam com valores superiores aos de mercado. No entanto, após nova revisão, essa irregularidade foi descartada.
A investigação citou a Mind Lab, que pode ter que devolver R$ 1,6 milhão aos cofres públicos.
Subutilização do programa educacional
Os kits fazem parte do programa “Mente Inovadora”, que busca desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais nos alunos da rede municipal. No entanto, o Ministério Público de Contas identificou que mais de 50% dos estudantes e 40% dos professores não acessaram a plataforma digital do projeto em 2022, o que levantou questionamentos sobre sua real efetividade.
A Mind Lab forneceu os materiais sem licitação, recebendo R$ 45,6 milhões em contratos entre 2023 e 2024. O TCE-PE, no entanto, analisará o caso para decidir sobre as conclusões da auditoria e eventuais penalidades.