Rejeição à Musk

JPMorgan reduz projeções da Tesla e aponta desgaste da imagem de Musk

A Tesla enfrenta um novo momento de fragilidade no mercado, agravado por resultados abaixo do esperado e por uma crescente rejeição à Musk.

JPMorgan reduz projeções da Tesla e aponta desgaste da imagem de Musk
  • Resultados abaixo do esperado no 1º trimestre e desgaste da imagem de Elon Musk pressionam a empresa
  • Banco reduziu estimativas de lucro da Tesla, citando “dano de marca sem precedentes” após desempenho fraco
  • Declarações e atitudes polêmicas de Musk são apontadas como parte do problema que afeta a confiança na marca

A Tesla enfrenta um novo momento de fragilidade no mercado, agravado por resultados abaixo do esperado e por uma crescente rejeição à figura de Elon Musk.

O JPMorgan, uma das instituições mais céticas em relação à empresa de carros elétricos, voltou a cortar suas projeções de lucro para a Tesla. Isto, no entanto, após a divulgação dos números de entrega do primeiro trimestre.

Segundo o banco, o desempenho decepcionante confirma um “dano de marca sem precedentes”, causado, em parte, pelas atitudes e declarações polêmicas do CEO.

A montadora entregou 336.681 veículos nos três primeiros meses de 2025, contudo, o menor volume trimestral desde 2022 e inferior até mesmo às previsões mais pessimistas do mercado.

Para analistas como Ryan Brinkman, do JPMorgan, os dados revelam que o impacto negativo da imagem pública de Musk sobre os consumidores pode ter sido subestimado. Além disso, desafios operacionais, como a transição para a nova versão do Model Y, também pesaram no desempenho.

Desempenho fraco confirma desgaste da marca

As entregas abaixo das expectativas mostraram que a Tesla perdeu força em um mercado cada vez mais competitivo. A companhia registrou o seu pior desempenho desde 2022, com uma queda acentuada no volume de vendas.

A expectativa já era de um trimestre fraco, mas os números finais surpreenderam negativamente. Inclusive, ainda, ao próprio JPMorgan, que já mantinha uma das projeções mais baixas entre os grandes bancos de Wall Street.

O resultado leva analistas a refletirem sobre a profundidade do problema: a marca Tesla, antes vista como sinônimo de inovação e desejo de consumo, agora enfrenta resistência por parte de consumidores que associam a empresa diretamente à figura polêmica de Elon Musk.

O CEO se envolveu recentemente em debates políticos globais. Dessa forma, o que pode ter afastado potenciais compradores que discordam de suas posições.

Imagem de Elon Musk se torna risco comercial

A ligação entre a imagem de Musk e os resultados da Tesla se intensifica. Em seu relatório, Brinkman destaca que o desgaste da figura do CEO afeta diretamente a percepção de valor da marca.

Embora Musk continue sendo uma personalidade carismática para parte do público, suas falas controversas e sua exposição constante em temas políticos vêm alienando consumidores de diferentes perfis. Especialmente, em mercados mais sensíveis a questões ideológicas.

Esse fenômeno representa, portanto, um novo tipo de risco para empresas de capital aberto: o risco reputacional associado ao comportamento de seu principal executivo.

A Tesla, nesse sentido, se torna um exemplo de como a conduta de um líder pode impactar a demanda pelos produtos da empresa — mesmo quando a tecnologia e o design continuam sendo competitivos.

JPMorgan corta lucro projetado

Com base nos resultados do trimestre, o JPMorgan reduziu sua estimativa de lucro por ação (EPS) da Tesla para o primeiro trimestre de 2025 de US$ 0,40 para US$ 0,36. A nova projeção está abaixo da média do mercado, que é de US$ 0,46.

Para o ano, o banco estima agora um EPS de US$ 2,30 — frente aos US$ 2,70 previstos por outros analistas consultados pela Bloomberg. A queda de 17% nas estimativas acumuladas desde janeiro mostra uma deterioração rápida nas expectativas.

A avaliação do JPMorgan sinaliza que o mercado pode estar iniciando uma reavaliação mais profunda sobre os fundamentos da Tesla. Se os próximos trimestres não apresentarem uma reversão clara da tendência, outras casas podem seguir o mesmo caminho e reduzir suas projeções — o que pressionaria ainda mais as ações da montadora.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ