
- O presidente Lula ironizou a rejeição de 90% do mercado financeiro ao seu governo, destacando que a aprovação, antes de 0%, cresceu para 10%
- O dólar superou a marca de R$ 6, refletindo o descontentamento do mercado com as políticas do governo, como o pacote de corte de gastos e a isenção do Imposto de Renda
- Lula defendeu o crescimento do PIB de 4% em 2024, argumentando que o Brasil superou as previsões pessimistas do mercado de 1,5% de crescimento
- O governo criticou a falta de intervenções do Banco Central para controlar o dólar, com o futuro presidente da instituição, Gabriel Galípolo, reafirmando a postura do novo governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso irônico em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (5). Ainda, reagindo às recentes pesquisas que apontam um alto índice de rejeição do mercado financeiro ao seu governo.
A pesquisa divulgada na quarta-feira (4) revelou que 90% dos operadores financeiros rejeitam a gestão petista. Uma rejeição que, segundo o presidente, ainda é um avanço, já que, nas eleições de 2022, o setor era 100% contra sua candidatura.
Para Lula, a diminuição da rejeição é uma vitória, demonstrando que seu governo está conseguindo conquistar parte do mercado financeiro. Contudo, apesar das críticas constantes.
Tensões
A pesquisa da Quaest, que aponta um crescimento de 26 pontos percentuais na rejeição em relação ao ano passado, reflete as tensões entre o governo e os interesses do setor financeiro.
Nos últimos dias, esses embates se tornaram mais evidentes, com o mercado reagindo com alta do dólar. Que superou a marca de R$ 6, impulsionado principalmente pelo anúncio do pacote de corte de gastos pelo governo.
A proposta incluiu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. O que gerou, no entanto, surpresa no mercado financeiro.
Segundo analistas, essa medida foi vista como um fator de aumento das incertezas fiscais. E, assim, contribuiu para a alta da moeda norte-americana.
Apesar da reação negativa do mercado, Lula defendeu suas políticas e procurou justificar a sua postura em relação às pressões externas.
Crescimento do PIB
Em seu discurso, ele ressaltou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que avançou 4% em comparação ao ano passado, e afirmou que, apesar das críticas, a economia brasileira está em trajetória positiva.
Lula ainda se utilizou do argumento de que os analistas econômicos haviam previsto um crescimento de apenas 1,5% para 2024, mas o país deve crescer 3,5% neste ano, contrariando as expectativas do mercado.
A alta do dólar, que atingiu os R$ 6 nos últimos dias, tem sido um dos maiores desafios para o governo.
A moeda mais cara impacta principalmente os preços de produtos importados, o que gera inflação geral e afeta o poder de compra dos brasileiros.
Lula, no entanto, minimizou o impacto das críticas, afirmando que o crescimento econômico será suficiente para compensar as dificuldades momentâneas.
Política monetária
A atuação do Banco Central também entrou na pauta do discurso presidencial. Desde o início de sua gestão, o governo Lula critica a política monetária adotada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro (PL).
Durante o governo Bolsonaro, o BC realizou intervenções frequentes no mercado de câmbio para controlar a alta do dólar, realizando 113 intervenções ao longo de quatro anos.
Já na gestão de Lula, o BC atuou apenas uma vez para tentar conter a alta da moeda. Essa postura, defendida por Campos Neto, foi criticada por governistas, que acusam a falta de ação para controlar o valor do dólar e os impactos inflacionários.
Em evento realizado nesta semana, o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, afirmou que não tem a intenção de “segurar o dólar no peito”.
A declaração reforça a expectativa de que o novo governo não tomará medidas agressivas para conter o câmbio. Assim, preferindo, focar em outras áreas da política econômica.
Pressões externas
Apesar da fala debochada de Lula sobre a rejeição do mercado, o impacto da alta do dólar e da inflação não pode ser ignorado.
O governo terá que enfrentar os desafios econômicos e, ao mesmo tempo, lidar com as pressões externas. Como o mercado financeiro e os analistas econômicos, que continuam a questionar a viabilidade de algumas de suas propostas fiscais.
O caminho para o governo será estreito, e, se o mercado continuar a se opor às políticas adotadas, as tensões podem aumentar ainda mais.