- O objetivo é reforçar o caixa e modernizar a operação digital e financeira.
- A MagaluPay será uma das áreas mais beneficiadas com os novos aportes.
- Emissão estruturada preserva a governança e amplia competitividade no setor.
O Magazine Luiza anunciou nesta sexta-feira (4) uma captação de R$ 1 bilhão no mercado por meio de emissão de debêntures simples, com vencimento em cinco anos. A operação visa fortalecer o caixa da companhia, reorganizar dívidas e financiar novos investimentos, especialmente em tecnologia e na operação financeira MagaluPay.
O movimento ocorre em um momento de recuperação gradual do varejo e de transformação estratégica da empresa.
Estrutura da emissão
O conselho de administração do Magalu aprovou a emissão de 1 milhão de debêntures simples, nominativas e não conversíveis, com valor nominal de R$ 1.000 por título. Os papéis terão remuneração atrelada a 100% da taxa DI acrescida de 1,70% ao ano. O vencimento ocorrerá em cinco anos, com liquidação prevista para abril de 2030.
Além disso, a oferta será restrita a investidores profissionais, como fundos, seguradoras e grandes instituições financeiras, conforme as regras da CVM.
Portanto, a operação segue os padrões de captação de dívidas corporativas estruturadas para empresas com capital aberto. Segundo a companhia, essa será a primeira tranche de uma série de movimentações previstas para fortalecer a estrutura de capital em 2025.
Objetivos da captação
A captação de recursos será utilizada para reorganizar os passivos financeiros da companhia e financiar projetos estratégicos. Entre as prioridades, estão a modernização da infraestrutura tecnológica, o aprimoramento da logística de última milha e a expansão do marketplace, que já representa uma parcela relevante das vendas totais da varejista.
Além disso, o Magalu informou que parte dos recursos será aplicada na MagaluPay, sua plataforma de serviços financeiros, que recebeu recentemente aval do Banco Central para atuar como instituição financeira.
Sendo assim, a empresa poderá oferecer crédito direto aos consumidores, financiar vendedores parceiros e remunerar saldos de contas digitais.
Contexto econômico e cenário do varejo
A decisão do Magalu ocorre em um ambiente de melhora gradual nos indicadores de consumo, mas com desafios persistentes para o setor varejista. Em janeiro, as vendas do comércio paulista cresceram 9,9% em relação ao ano anterior, segundo a FecomercioSP, marcando o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica.
Por outro lado, o aumento da concorrência no e-commerce e o custo de capital ainda elevado exigem atenção especial das companhias do setor.
Portanto, reforçar a posição de caixa e investir em diferenciais competitivos tornou-se uma necessidade para quem busca manter participação de mercado.
Histórico de expansão digital
O Magazine Luiza passou por uma grande transformação digital nos últimos anos, com foco na ampliação do portfólio e na aquisição de startups estratégicas.
Em 2021, a companhia adquiriu o KaBuM! por até R$ 3,5 bilhões, marcando sua entrada no segmento gamer e ampliando a base de clientes tech.
Além disso, a empresa lançou a MagaluAds, sua plataforma de publicidade digital, e consolidou sua estrutura de logística com centros de distribuição em todas as regiões do país.
Sinais para investidores
Para o mercado, a emissão de R$ 1 bilhão reforça a confiança da companhia em sua estratégia de crescimento e disciplina financeira. O movimento também sinaliza ao investidor que o Magalu pretende manter sua independência operacional, evitando recorrer a aumentos de capital que poderiam diluir os acionistas.
Além disso, ao focar em instrumentos de dívida com condições alinhadas às taxas de mercado, a empresa preserva sua estrutura de capital e mantém flexibilidade para futuras rodadas de captação, se necessário.
Portanto, analistas interpretam a operação como um indicativo de que a empresa se prepara para acelerar sua transição de varejista tradicional para ecossistema digital com braço financeiro.