
- Com a inflação afetando o setor de vestuário e a busca por consumo consciente, o mercado de roupas de segunda mão tem registrado crescimento expressivo
- Aplicativos e brechós online impulsionam a moda circular, oferecendo praticidade, segurança e variedade
- Brechós modernos ganham força nas grandes cidades, enquanto redes como Renner e C&A testam modelos de revenda
Com os preços nas alturas e mais consciência ambiental, o mercado de roupas usadas vem crescendo no Brasil. Aplicativos, brechós online e lojas físicas se adaptam para atender consumidores que buscam estilo, economia e propósito.
Crescimento do mercado de roupas usadas no Brasil
A inflação vem afetando diretamente o bolso dos brasileiros, especialmente na hora de renovar o guarda-roupa. Nos últimos 12 meses, o setor de vestuário acumulou alta de 7,3%, segundo o IBGE. Sendo assim, comprar roupas usadas se torna uma escolha cada vez mais comum, prática e vantajosa.
Além disso, o consumo mais consciente tem levado muitas pessoas a repensar seus hábitos. A moda circular, que envolve o reuso e a revenda de peças, entra em destaque como uma alternativa sustentável. Segundo a NielsenIQ, 71% dos jovens entre 18 e 34 anos priorizam marcas com impacto ambiental positivo.
O resultado? Plataformas especializadas em roupas usadas estão batendo recordes. O Enjoei, por exemplo, registrou um crescimento de 18% na base de vendedores ativos apenas nos dois primeiros meses de 2025. Já o Repassa, do grupo Arezzo&Co, viu as vendas aumentarem 22% em comparação ao mesmo período de 2024.
Aplicativos e brechós online facilitam a circulação
A tecnologia tem um papel essencial nesse crescimento. Aplicativos como Repassa, TROC e Enjoei permitem comprar e vender roupas usadas com praticidade e segurança. Eles cuidam da curadoria das peças, do pagamento e da logística, oferecendo uma experiência confiável para quem está começando a consumir moda de segunda mão.
Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor de moda circular online movimentou R$ 1,3 bilhão em 2024. A estimativa para 2025 aponta crescimento de até 26%, impulsionado pelo aumento na procura por brechós online.
Ademais, novas tecnologias estão ajudando a transformar esse mercado. Plataformas já utilizam inteligência artificial para analisar o estado das peças, sugerir preços e evitar fraudes. Essa automação melhora o processo para o consumidor e reduz o tempo entre o anúncio e a venda.
Em suma, quem quer comprar roupas usadas pela internet encontra uma enorme variedade de estilos, tamanhos e marcas, com preços até 70% mais baixos do que em lojas tradicionais. É possível montar um guarda-roupa completo sem sair de casa — e sem pesar no bolso.
Lojas físicas e brechós modernos atraem novos públicos
Apesar do sucesso dos brechós online, o comércio físico também vive um bom momento. Lojas de roupas usadas vêm se reinventando para conquistar o público jovem. Em bairros como Pinheiros e Vila Madalena, em São Paulo, novos brechós investem em decoração moderna, redes sociais ativas e experiências de compra mais imersivas.
Nesse sentido, a empresária Camila Toledo, dona do brechó Roda Roda, afirma que o faturamento cresceu 35% desde que começou a promover eventos mensais com DJs e food trucks:
“Hoje, as pessoas não compram só roupa. Elas querem estar em um ambiente com identidade, encontrar outras pessoas e viver uma experiência diferente”.
Sendo assim, grandes varejistas também entraram na tendência. A Renner e a C&A testam unidades que vendem roupas devolvidas ou usadas, com curadoria de estilo e garantia de qualidade. Isso mostra que a moda circular já se consolidou como uma parte relevante da indústria da moda no Brasil.
Qual o futuro das roupas usadas no Brasil?
A tendência é que o mercado de segunda mão continue crescendo nos próximos anos. Segundo a consultoria americana ThredUp, o setor global de roupas usadas movimenta hoje mais de US$ 211 bilhões e pode atingir US$ 350 bilhões até 2030.
No Brasil, o sucesso depende de três fatores: mudança cultural, profissionalização dos vendedores e maior aceitação por parte dos consumidores. Felizmente, os dados mostram que a barreira do preconceito está diminuindo, especialmente entre o público mais jovem e urbano.
Portanto, comprar roupas usadas hoje não é apenas uma questão de economia — é um posicionamento. O consumidor quer fazer escolhas mais inteligentes, sem abrir mão de estilo ou qualidade. E com tantas opções disponíveis, a moda circular tem tudo para se firmar como tendência dominante nos próximos anos.