
- Trump lança “Gold Card” para milionários estrangeiros: Cartão de residência permanente custa US$ 5 milhões e tem o rosto do presidente em destaque
- Visto “premium” para investidores: Projeto visa atrair estrangeiros ricos, mas gera polêmica pelo design personalizado com a imagem de Trump
- Custo alto e apelo político: Valor de US$ 5 milhões e o uso da imagem presidencial chamam atenção e dividem opiniões
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quinta-feira (3) o design final do novo “Gold Card”. Contudo, uma versão premium do tradicional green card voltada para estrangeiros de alto patrimônio.
O cartão de residência permanente custará US$ 5 milhões (cerca de R$ 28,15 milhões) e chama atenção não apenas pelo preço, mas também por exibir em destaque o rosto do próprio presidente.
Durante um encontro com jornalistas no Air Force One, Trump exibiu orgulhoso a versão física do cartão, em tom dourado metálico.
“Sou o primeiro comprador. Muito emocionante, não? Por US$ 5 milhões, isso pode ser seu”, declarou.
O cartão permite que investidores morem e trabalhem legalmente nos Estados Unidos e conta com benefícios exclusivos. Ainda, como a isenção de impostos sobre rendimentos obtidos fora do país, algo que não se aplica a cidadãos americanos.
Segundo Trump, o governo espera vender até um milhão de unidades. Assim, com o objetivo de atrair capital externo, impulsionar a economia e reduzir o déficit fiscal.
A nova política, lançada em meio à escalada da guerra comercial, já teria arrecadado US$ 5 bilhões apenas na última semana, com a emissão de mil unidades do cartão, segundo dados do Departamento de Comércio.
Um green card turbinado
O “Gold Card” surge como uma alternativa de alto luxo ao programa EB-5, que exige investimentos mínimos de US$ 800 mil em áreas designadas nos EUA. E, portanto, obriga a criação de pelo menos dez empregos para cidadãos americanos.
Já o novo cartão elimina essas exigências operacionais e burocráticas, oferecendo aos bilionários uma via rápida e simplificada para a residência permanente, desde que estejam dispostos a pagar o valor estipulado.
Ao anunciar o cartão, Trump reforçou o caráter exclusivo e simbólico da iniciativa, dizendo que se trata de “um novo capítulo na imigração americana”. Este, no entanto, voltado para quem deseja contribuir diretamente com a economia do país.
Ele também afirmou que o cartão poderá se tornar “um dos símbolos mais cobiçados do mundo para quem valoriza liberdade, prosperidade e oportunidade”.
Lançamento vem em meio à turbulência nos mercados
A apresentação do Gold Card ocorre em um momento delicado para os mercados globais. No dia anterior, Trump havia anunciado tarifas comerciais generalizadas sobre produtos importados, medida que gerou forte reação negativa nos mercados financeiros.
O índice S&P 500 caiu 4,8%, a maior queda diária desde 2020, enquanto ações de gigantes como Apple e Amazon recuaram fortemente. Bolsas asiáticas e europeias também operaram em baixa na esteira do anúncio.
Embora Trump não tenha feito relação direta entre as novas tarifas e o lançamento do Gold Card, analistas interpretam a medida como uma tentativa paralela de compensar a deterioração da confiança nos mercados e garantir novas fontes de entrada de capital estrangeiro.
A arrecadação rápida com os mil cartões já emitidos serviu de argumento político imediato para justificar o programa.
Lançamento oficial será em duas semanas
Trump informou que o lançamento oficial do “Gold Card” ocorrerá em um grande evento dentro de duas semanas, com direito a cerimônia pública e transmissão ao vivo.
O cartão será emitido pelo Departamento de Imigração em parceria com o Departamento de Comércio, e a expectativa é que bilionários da Ásia, Oriente Médio e América Latina liderem a demanda.
Embora o programa ainda não tenha sido oficialmente regulamentado pelo Congresso, fontes do governo afirmam que a Casa Branca prepara uma ordem executiva para viabilizar a medida de forma imediata, utilizando os mesmos fundamentos legais aplicados ao EB-5.
Ao transformar a imigração em um produto de luxo, Trump mais uma vez reforça sua marca política baseada em negócios, exclusividade e patriotismo econômico — ainda que isso gere controvérsia sobre os rumos da política migratória e econômica dos EUA.