
- Meta antecipada: Universalizar serviços até 2029, com investimentos dobrados
- Controle financeiro: Alavancagem reduzida (1,8%) e cortes de R$ 630 milhões em custos
- Novas receitas: Revisão de tarifas, cobranças digitais e expansão da base de clientes
A Sabesp, maior concessionária de água da América Latina, está acelerando seus investimentos para universalizar o acesso a água e esgoto no estado de São Paulo até 2029, quatro anos antes do prazo estipulado por lei.
Privatizada em 2023 pela Equatorial Energia, a empresa reduziu custos com um programa de demissão voluntária e agora busca eficiência operacional para ampliar sua capacidade de investimento.
Cortes e eficiência pavimentam caminho
Desde a privatização em julho de 2024, a Sabesp implementou um plano de demissões voluntárias que resultou na saída de mais de 2.000 funcionários.
A iniciativa gerou um custo de R$ 630 milhões em provisões, afetando temporariamente os lucros. Como reflexo, o Ebitda do quarto trimestre caiu 22%, chegando a R$ 2,3 bilhões.
Apesar do impacto inicial, o diretor financeiro Daniel Szlak afirma que a Sabesp está em uma posição “confortável” para acelerar projetos.
“Não falta urgência, mas algumas mudanças exigem tempo para amadurecer”, disse Szlak em entrevista à Bloomberg.
A empresa também reduziu sua alavancagem para 1,8% no fim de 2024, um diferencial em um cenário de juros elevados.
Investimentos dobram para cumprir meta antecipada
Pela legislação federal, a Sabesp tem até 2033 para levar água e esgoto a 90% da população paulista. No entanto, a meta interna é atingir esse objetivo até 2029, o que demandará o dobro do volume atual de investimentos.
A empresa indicou que revisão de contratos, tarifas e descontos serão essenciais para financiar essa expansão.
No quarto trimestre, a receita líquida da Sabesp cresceu 5,8%, alcançando R$ 5,8 bilhões. Para sustentar a meta de universalização, a companhia aposta em três frentes principais:
- Aumento da base de clientes: Com expansão da rede, o volume de serviços crescerá.
- Reajustes tarifários: A revisão de preços ajudará a equilibrar os investimentos.
- Melhoria na cobrança: Novas opções de pagamento, incluindo cartões de crédito.
Privatização e desafios futuros
A venda da Sabesp para a Equatorial Energia, em 2024, arrecadou R$ 14,8 bilhões e marcou a entrada da gigante do setor elétrico no saneamento. Apesar do avanço nos investimentos, a companhia enfrenta desafios significativos:
- Pressão por eficiência: Após os cortes de pessoal, a produtividade precisa ser mantida.
- Cenário macroeconômico: Juros elevados e custos operacionais podem impactar novos aportes.
- Expectativas regulatórias: O governo estadual monitora de perto o cumprimento das metas.
A Sabesp aposta que a combinação de eficiência operacional, alavancagem controlada e novas fontes de receita será suficiente para cumprir seus compromissos. Caso obtenha sucesso, a empresa poderá servir como exemplo da viabilidade da privatização no setor de saneamento básico.