Crise dos Correios

Senador diz que "Brasil assiste passivamente a falência dos Correios"

Senador Marcos Pontes alerta para risco de falência dos Correios e cobra ação do governo. Estatal acumula prejuízos bilionários e inércia do Executivo pode agravar crise operacional e econômica da empresa.

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  • Segundo o senador Marcos Pontes, a estatal perdeu metade do valor das estatais deficitárias em 2024.
  • Ele propôs medidas como corte de custos, digitalização e parcerias estratégicas para salvar a estatal.
  • A eventual falência pode afetar regiões carentes e comprometer a logística nacional.

Em discurso no Senado nesta semana, o senador Marcos Pontes (PL-SP) alertou para o risco iminente de falência dos Correios, estatal que enfrenta sucessivos prejuízos e, segundo ele, sofre com a falta de ação do governo federal.

A empresa, responsável pela logística de correspondências e encomendas em todo o território nacional, registrou um déficit de R$ 3,2 bilhões em 2024. Nesse sentido, o parlamentar pediu providências urgentes e sugeriu a criação de um plano de reestruturação com foco em eficiência, parcerias e sustentabilidade financeira.

Estagnação administrativa e perdas crescentes

O alerta de Pontes se baseia nos números divulgados recentemente pelo Tesouro Nacional, que apontam os Correios como responsáveis por metade do prejuízo total registrado por empresas estatais em 2024. No ano anterior, o déficit da empresa já havia alcançado R$ 440 milhões. O salto nas perdas acendeu o sinal vermelho em Brasília.

Além disso, Pontes destacou que a atual administração federal não apresentou nenhum plano público para lidar com a deterioração das finanças da estatal. Segundo ele, a ausência de estratégia agrava a situação e gera insegurança entre os funcionários, usuários e investidores.

Portanto, o senador argumentou que a falta de reação institucional pode resultar em consequências graves, incluindo a descontinuidade dos serviços e a perda de valor de um ativo público estratégico.

Correios continuam sendo essenciais para o país

Apesar da ascensão de empresas privadas no setor logístico, os Correios ainda prestam serviços indispensáveis, especialmente em regiões onde a iniciativa privada não atua. O senador ressaltou que a estatal garante o acesso universal à entrega de correspondências e encomendas, algo essencial para a integração nacional.

Marcos Pontes também lembrou que milhões de brasileiros dependem diretamente do serviço postal para receber documentos, produtos, medicamentos e material didático. Por isso, a eventual falência da empresa não seria apenas uma perda econômica, mas também uma tragédia social, principalmente em áreas rurais e distantes dos grandes centros.

Além disso, defendeu que a função pública dos Correios deve ser preservada, mas modernizada com base em critérios de gestão, eficiência operacional e viabilidade fiscal.

Propostas para recuperação financeira da estatal

Durante sua fala, Pontes sugeriu que o governo federal implemente um plano emergencial para resgatar a saúde financeira dos Correios. Entre as ações propostas por ele, estão a revisão da estrutura de custos, a digitalização dos processos internos, a readequação da malha logística e a abertura para parcerias público-privadas em áreas específicas.

Além disso, ele indicou que uma nova política comercial poderia gerar receitas adicionais por meio da diversificação dos serviços e da ampliação da carteira de clientes. Segundo o senador, a estatal precisa deixar de operar com ineficiência e assumir postura mais competitiva no mercado.

Portanto, o sucesso dessa virada institucional dependerá da disposição do Executivo em reconhecer a gravidade da crise e agir com responsabilidade fiscal e visão de longo prazo.

Governo ainda não se pronunciou

Até o momento, o Palácio do Planalto e o Ministério das Comunicações não emitiram nenhum comunicado oficial em resposta às declarações do senador. A falta de posicionamento reforça a crítica de que o governo estaria inerte diante da crise.

Pontes afirmou que continuará acompanhando o tema e que buscará apoio de outros parlamentares para formar uma frente suprapartidária em defesa dos Correios.

O objetivo, segundo ele, é pressionar o Executivo por medidas concretas e impedir que a estatal chegue ao ponto de colapso irreversível.

Luiz Fernando
Estudante de Jornalismo, apaixonado por esportes, música e cultura num geral.