Cadeias de suprimentos

Tarifas de Trump: Volks repassará custos de importação para consumidor

Mercado reage a tarifas de 25% impostas por Trump, afetando montadoras e cadeias de suprimentos.

Tarifas de Trump: Volks repassará custos de importação para consumidor
  • As ações do setor automotivo na Europa recuaram nesta quinta-feira após o anúncio de novas tarifas comerciais pelos EUA
  • A administração Trump impôs uma taxa de 25% sobre todos os carros importados para os EUA, elevando custos para montadoras europeias
  • A medida pode causar interrupções nas operações do setor e pressionar ainda mais os fabricantes de automóveis

As ações das principais montadoras europeias despencaram nesta quinta-feira (4) após o governo dos Estados Unidos implementar uma tarifa de 25% sobre todas as importações de automóveis.

A decisão do presidente Donald Trump gerou incertezas no setor automotivo, levando a aumentos de custos e potencial interrupção nas cadeias de suprimentos.

O impacto imediato se refletiu na queda de 1,9% do subíndice Stoxx Europe 600 Automotive & Parts, com perdas significativas para grandes empresas do setor.

Grandes montadoras sofrem forte impacto

Entre as principais afetadas, a Valeo (EPA:VLOF) liderou as perdas com uma queda de 4,1%, seguida por D’ieteren Group (-2,7%), Michelin (EPA:MICP) (-2,1%). Além de Porsche Automobil Holding SE (-2,1%), Renault (EPA:RENA) (-2,6%), Mercedes (-2,2%) e BMW (ETR:BMWG) (-2,1%). Ferrari (-1,7%), Volkswagen (ETR:VOWG_p) (-1,7%), Continental (-1,6%), Porsche AG (ETR:P911_p) (-2%) e Stellantis (NYSE:STLA) (-0,9%) também registraram perdas significativas.

Analistas do Bank of America (BofA) alertaram que a medida pode levar a um aumento de até 20% nos preços dos veículos, reduzindo a demanda em aproximadamente 3 milhões de unidades. Além disso, há um risco elevado de paralisações na produção devido à inviabilidade econômica de alguns modelos e peças.

Efeitos nas estratégias das montadoras

Os analistas do Barclays (LON:BARC) destacaram que, apesar da isenção de tarifas recíprocas no setor, o impacto das novas taxas americanas ainda não foi totalmente refletido nas avaliações das montadoras.

A incerteza gerada pelo movimento tarifário, somada ao enfraquecimento do setor automotivo global, pode comprometer as margens de lucro das empresas no médio prazo.

A Mercedes estuda retirar seus modelos mais acessíveis do mercado americano para evitar o impacto direto das tarifas, enquanto a Volkswagen já indicou que repassará os novos custos aos consumidores nos Estados Unidos. Ambas as medidas podem resultar em uma queda na participação de mercado das montadoras europeias em solo americano.

Impacto financeiro e perspectivas para o setor

Relatórios do Citi apontam que o impacto líquido das tarifas pode chegar a aproximadamente €10 bilhões, divididos entre os anos fiscais de 2025 e 2026. Esse impacto representaria uma redução de cerca de 100 pontos base na margem operacional das montadoras europeias a cada ano.

Porsche Automobil Holding SE e Stellantis são vistas como as mais vulneráveis ao impacto das tarifas, seguidas por Mercedes e BMW. Por outro lado, o Citi recomenda a compra de ações da Volkswagen e Renault, projetando que essas companhias terão maior resiliência e capacidade de adaptação ao novo cenário tarifário.

Diante das novas barreiras comerciais, montadoras europeias precisarão reavaliar suas estratégias para o mercado norte-americano. A tendência de repasse de custos aos consumidores e possíveis ajustes na oferta de modelos podem remodelar, portanto, o setor nos próximos anos, em meio a um ambiente de crescente incerteza política e econômica.

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ