Turbulência comercial

Trump aberto a negociações? Tarifas com foco em vantagens “fenomenais”

Apesar da turbulência nos mercados, presidente dos EUA indica possível flexibilização tarifária se outras nações oferecerem contrapartidas.

Trump aberto a negociações? Tarifas com foco em vantagens “fenomenais”
  • Trump aberto a reduzir tarifas: Condiciona a diminuição a ofertas “fenomenais” de outros países
  • Casa Branca flexível: Mostra disposição para negociações, mesmo com resistência interna
  • Estratégia negociadora: Mantém pressão por acordos vantajosos, sem descartar concessões

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (3), a bordo do Air Force One, que está disposto a rever e até reduzir tarifas comerciais se outros países oferecerem algo que ele considere “fenomenal”.

A fala sinaliza uma abertura para negociações estratégicas, mesmo com a Casa Branca mantendo uma retórica firme sobre a política de tarifas adotada nos últimos anos.

“Se alguém dissesse que vamos lhe dar algo que é tão fenomenal, desde que eles nos deem algo que seja bom”, afirmou Trump.

Ainda, destacando que não descarta concessões, mas que tudo dependerá do que estiver em jogo. Ele reafirmou que as tarifas são uma importante ferramenta de poder econômico e político.

“Elas nos dão um grande poder de negociação”, disse o presidente, enfatizando que “todos os países nos contataram” buscando acordos ou alívios.

As declarações acontecem em meio a uma forte queda nos mercados financeiros. O S&P 500 perdeu cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado, com uma queda de 5% no índice. O Russell 2000, que reúne empresas de menor capitalização, registrou queda de 20% em relação ao seu pico de 2021, e o dólar desvalorizou 1,5%.

Ainda assim, Trump demonstrou tranquilidade com o cenário, dizendo que está satisfeito com as recentes reduções nas taxas de juros e confiante de que a economia americana irá se estabilizar.

China, TikTok e possíveis concessões tarifárias

Trump voltou a tocar em um tema sensível: a relação com a China e o futuro do TikTok nos Estados Unidos. Ele afirmou que estaria disposto a oferecer alívio tarifário a Pequim se o governo chinês aprovasse a venda das operações do aplicativo TikTok em território americano.

O serviço, de propriedade da chinesa ByteDance, enfrenta um prazo de desinvestimento que termina neste sábado, a menos que Trump decida prorrogar o prazo como parte de um acordo em andamento.

“Estamos muito próximos de um acordo”, disse o presidente.

Ele acrescentou que a China poderia usar a questão das tarifas como uma moeda de troca: “Talvez a China ligue e diga: ‘Estamos chateados com as tarifas’, e talvez queiram conseguir algo um pouco melhor para que o TikTok seja aprovado.”

Apesar de sugerir essa possibilidade, Trump deixou claro que não há qualquer sinal oficial por parte de Pequim nesse sentido. Ainda assim, a abertura para negociar as tarifas com a China — uma das maiores economias do mundo — pode representar uma inflexão importante na política comercial agressiva dos EUA.

Pressão internacional e reações de aliados

Trump também comentou suas conversas com líderes e setores econômicos ao longo do dia. O presidente revelou ter falado com executivos da indústria automobilística, um dos setores mais impactados pelas tarifas, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Trump disse que Netanyahu pode visitar os Estados Unidos na próxima semana.

Israel, que retirou tarifas sobre produtos americanos no início da semana em uma tentativa de evitar medidas retaliatórias, acabou não sendo poupado. A Casa Branca anunciou que os produtos israelenses enfrentarão uma tarifa de 17%.

O episódio exemplifica a abordagem imprevisível da Casa Branca no campo comercial, baseada na reciprocidade direta.

Quanto ao Reino Unido, Trump afirmou que o país está “satisfeito” com as condições impostas pelos Estados Unidos. Sob o novo regime tarifário, o Reino Unido enfrenta uma taxa mínima de 10%, enquanto produtos oriundos da União Europeia lidam com tarifas de até 20%.

A diferenciação reforça o foco de Trump em premiar aliados estratégicos e pressionar blocos que, na sua visão, impõem barreiras injustas aos produtos americanos.

Ao admitir possíveis concessões, mesmo que condicionadas, Trump mantém sua postura negociadora firme. Mas, ainda, dá sinais de que poderá ajustar sua política tarifária se isso significar ganhos substanciais para os Estados Unidos.

Com mercados em alerta e tensões globais crescentes, qualquer movimento da Casa Branca pode redefinir o rumo do comércio internacional nas próximas semanas.

Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ
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