
- A Valid anunciou a criação do Valid Ventures, seu fundo de corporate venture capital;
- Assim, a empresa de certificação planeja investir até R$ 300 milhões nas áreas de governo, identificação e inteligência artificial. O primeiro aporte é na idtech Vsoft.
A Valid (VLID3) acaba de anunciar ao mercado a criação de seu capital de risco corporativo (CVC), denominado Valid Ventures. O anúncio foi oficializado ao mercado após a assinatura da primeira vistoria da nova estrutura, que será liderada por Rafael Sbampato, Diretor de Tecnologia e Novos Negócios da Valid.
Trata-se de uma doação não divulgada em troca de uma participação de 10% na Paraíba idtech Vsoft. Como parte da transformação da Valid, que inclui uma reorientação em seu core business, as áreas que o CEO se refere incluem identificação, além de certificação para RG e CNH; bancário, fabricação de cartões; e telecomunicações, com distribuição de chips. Com esta “volta ao básico”, a empresa bateu recordes trimestrais consecutivos.
Por exemplo, entre janeiro e março deste ano, a Valid registrou lucro líquido de R$ 579,5 milhões e Ebitda de R$ 102,9 milhões, alta de 18,4% e 68,5%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado
“Nós operamos com três verticais principais em mercados muito maduros, mas nosso espaço para crescer está limitado à presença que temos nesses segmentos”, diz Murias, em entrevista. “O CVC é uma das formas de gerarmos novas pistas e crescimento futuro nesses territórios que já dominamos.”
Desse modo, o pano de fundo para a criação da Valid Ventures se completa com a redução da alavancagem da operação, medida pela dívida líquida/Ebtida. Quando Murias assumiu como CEO, essa relação era de 3,6 vezes.
Hoje, ela está na faixa de 1,3 vezes. “Nesse contexto, o plano é ter quatro a cinco iniciativas no Valid Ventures em 24 meses”, diz Murias.
Ademais, ele ressalta que não há um valor específico reservado ao CVC. O montante dependerá das oportunidades mapeadas e será financiado, a princípio, pelo próprio balanço, agora mais “saudável”, da companhia. O volume, a princípio, pequeno de startups do portfólio se explica pela tese da Valid Ventures.
Ela irá compreender desde cheques iniciais, em troca de fatias minoritárias, de 10% a 30% das operações, até a participação em rodadas subsequentes, à medida que essas empresas ganhem mais tração. “Num prazo de quatro a cinco anos, a ideia é investir entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões”, observa o executivo.
“E, nesse mesmo intervalo, a nossa projeção é que essas iniciativas também representem entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões de faturamento.”
Para isso, o olhar estará centrado em startups com produtos já validados no mercado e que estejam entre as rodadas série A e série B. Isso inclui a possibilidade de coinvestimentos com outros CVCs, especialmente em espaços como banking, telefonia e saúde, próximos do core de identificação da Valid.